domingo, 13 de abril de 2014

Permissão


Não sabe: você apreciou o momento, porém, passada a fração temporal de singelo e genuíno aproveitamento sensorial, recorre-se aos resumos, aos contos e às narrativas. Não há como escapar deles, já que os amigos questionam o que houve e a tradução através de palavras ocorre; vêm, pois, os estereótipos. 
Ora, é possível que ela narre apenas fragmentos sensoriais; porém, após indeterminado tempo, sua mente alterna decide imaginar como o outro apreendeu o que ela havia contado. Em qual estereótipo outrem teria inserido aquilo que, outrora, parecera único? Não se importava. Gostaria de compreender as motivações, apreciaria o sentimento de consideração, mas também não sabia se seria capaz de lidar com qualquer uma das situações: com a de desamarras, ou de cativação por parte dele
Créditos

sábado, 18 de janeiro de 2014

Charada

Duas personalidades simpáticas, devido a uma cadeia de ações motivadas pelo instinto de sobrevivência, ou graças à movimentação deste enquanto primeiro motor, optaram por conversar. Aos olhos do observador, tratava-se de uma decisão com cinquenta porcento de chance de ser abarcada e com igual chance, isoladamente, de trazer sucesso.
O ambiente onde elas estavam era de um azul acinzentado desenhado por nuvens grisalhas. Grandes e singulares prédios inseriam sua consciência no ambiente urbano de grande movimentação; não vinha a este caso qual o era. Certamente, estava no horário de pico de alguma metrópole. Ao despertar do sono, a descrição acima era tudo o que Glu sabia. Uma figura com um sorriso largo a observava.

- Oi, que legal ter você por aqui!
- Acho que sim, quer dizer...você me parece legal. - mencionou Glu
- Fico lisonjeada, obrigada pelo elogio.
- Imagina! - Glu respondeu automaticamente
- Imaginar o quê? Não acredito que requer grandes esforços pensar que eu eu sou legal. Achei que você estava sendo sincera, mas prefiro que você destine sua imaginação a algo mais válido - ordenou Pin
- Ah, por favor, deixe de ser complexada, você deve s...quer dizer, você é legal!
- Como você pode saber que sou legal? Desta forma parece que a gente se conhece faz tempo, nossa! Aliás, parece mesmo, de onde viria a sua liberdade para ranhetar com o meu jeito de ser? - interrogou Pin
- Pára de reclamar! Pois este também é o meu jeito de ser, sem paciência. Acho. Mas deixe pra lá. Estou tentando perguntar: você sabe o que estamos fazendo aqui? Sabe quem sou eu?
- Não! Eu ia tlhe perguntar a mesma coisa, já que parece que já nos conhecíamos bem antes do fim do mundo.
- Deuses! Fim do mundo! Não é à toa que perdi minha memória. O que você sabe sobre o fim do mundo, Pin?
- Ops, Pin, como é que sei o seu nome?
- Eu disse que já devíamos nos conhecer, Glu - Pin arriscou o nome. Serviu bem
- Acho que têm coisas que nosso coração sabe reconhecer melhor do que qualquer agrupamento de tecidos no mundo.
- Acredito que sim, Pin. Devemos ser amigas, acho que podemos nos ajudar a sair daqui. - afirmou Glu
- Ah, sim, já ia esquecendo de responder sobre o fim do mundo...Ocorreu após uma série de fenômenos naturais improváveis. Após um lindo dia de sol acompanhado de garoa, uma tempestade forte devastou toda a população então conhecida aqui.
- Foi horrível, estava em uma posição favorável ao operador de câmera que ganharia o próximo grande prêmio de cinematografia documental. Como você pode ver, Glu, aqueles prédios maciços à nossa frente estão inabitados. As primeiras pessoas a serem destruídas foram as que estavam nas ruas, seguido pelo restante do povo daqui. - contou Pin.
- Que horrível! Têm coisas que é melhor permanecer no esquecimento.
- Afinal é melhor se sentir ignorante, mas feliz, né, amiga?
- Creio que sim, Pin...amiga...pessoa que me suporta durante as últimas unidades de tempo.
- Mas, Pin, podemos deixar o passado de lado e pensar o que temos de fazer agora? Me parece que aquele agrupamento logo abaixo é um ótimo destino!
- Concordo, Glu.
A região observada era uniforme e alegre; forte energia emanava dali. O destino próximo oscilava, cintilava, irradiava e - se conseguissem escutar o som àquela grandíssima distância - saberiam que também emitia um canto marinho, semelhante ao de ondas do mar aterrizando nas areias de um terreno uniforme. Era o ambiente paradisíaco a que todas as gerações passadas procuravam encaminhar seus herdeiros: era o sucesso e a felicidade; certamente era para onde todos gostariam de ir: era o topo da pirâmide social capitalista; extremamente pequeno, porém capaz de abrigar todos os restritos sobreviventes daquele mundo- aparentemente- pós apocalíptico.
- Se nós soprarmos bem forte e nos apoiarmos, com um pouco de perseverança, poderemos chegar lá abaixo, Pin.
- Vai ser ótimo quando chegarmos!!! Enquanto isso, contamos com nossa amizade para superar os obstáculos. - empolgou-se Pin
- Pode ter certeza, nada nos derrubará.
As personalidade continuaram, possivelmente motivadas pela força da gravidade positiva, ou pelo local em que se conheceram inicialmente, ou pela probabilidade favorável impulsionada pelas forças de coerção social, ou pela maquete de lego em escala real que havia sido colocada ao seu lado.
Anos depois, chegaram ao lugar paradisíaco e se dispersaram. Momentos depois, Glu não conseguia mais encontrar Pin. Desesperada, sentia falta do primeiro local que lembrava, aquele espacinho onde havia conhecido - ou reconhecido - a companheira. Após a forte sensação da presença de ondas de calor, toda a multidão ao seu redor desapareceu. Glu conversava sozinha; intimamente, sabia que era em vão.
- Pin, estou desesperada! Por que não permanecemos lá? Já tínhamos concluído que, quanto menos soubéssemos, mais feliz estaríamos. Era melhor termos ficado paradas, sabendo pouco!
- Pin, acho que tornaremos a nos conhecer e a viver toda esta situação de novo. Agora compreendo tudo. Vidas passadas são mais do que uma doutrina para afagar nossas dúvidas existenciais; agora sei que elas são uma sina infeliz.
- Desculpe-me, Pin. Quem sabe, se meu primeiro passo houvesse sido diferente, estaríamos em outro lugar.

Glu e Pin são carismáticas gotas de água. Presas ao vidro que protege a janela de uma casa, avistam a maquete de lego que o filho mais novo do lar montou. Com as luzes apagadas, enxergam os prédios em tons escuros, decorados pelo pôster do último Harry Potter na parede atrás deles. As gotinhas, assim como muitas outras, fluem melhor e mais rapidamente em direção à região inferior da janela quando unidas; este é um conhecimento inato bastante intuitivo a toda matéria constituída de água. Mais abaixo da janela, encontram-se poças de dimensões admiráveis nas quais reflete a maior quantidade dos raios de sol após um temporal. Segmentos de fluxos de água, também apreendidos como fragmentos da cadeia produtiva que lhes garante a reprodução do ciclo, ou sina, são facilmente iludidos por tudo o que a maioria deseja, é grande, ou que emite brilho.
Quando as gotas estão na poça há tempo suficiente, cansam-se, debatendo-se cineticamente devido à superlotação e ao calor da multidão e do sol - cada vez mais intenso - e são capazes de perder a materialidade em meio às suas companhias. Antes que os últimos abraços cansados sejam compartilhados, as gotas desaparecem. Abraçam a morte com a maior felicidade do mundo e, como fantasmas, voam e assombram, na forma gasosa, os seres os quais compartilham setenta porcento de sua matéria constituinte.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Filme

30 de dezembro
Era algum tipo de decepção, um baque, finalmente, para com a realidade. Apenas mais uma para desprezar era a verdade. Olhos úmidos de umas lágrimas antigas sinalizavam que, se fossem gotas de água, o ambiente certamente seria uma biblioteca; esta estaria com as páginas dos livros, que tão avidamente havia lido, depredadas pelo mofo e eventuais agentes decompositores os quais se nutriram dos resíduos daquela cansada história; esta, outrora nos sonhos, teria promovido grande felicidade às duas partes envolvidas. 
Seu pescoço estava cansado, rígido; o nariz, um pouco entupido. Os olhos pendiam, porém não conseguia dormir: era o que ela mais queria nessa noite. Não sentia fome, mas gostaria de acreditar que algum doce lhe traria consolo e não incrementaria seu sobrepeso adiposo. Não comia. Não dormia. Não assoava o nariz. Não procurava conversar; não havia como agora. Tomaria um remédio para os ossos da cabeça, ao menos.
Chega. Era mais do que hora. Era um bom período para transição: o novo início estava próximo. Bom dia.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Você já foi - e é - mais forte do que isso. Sabe que as dores no corpo e suposta falta de inspiração de nada importam: pois você é capaz e já superou este limite bastantes vezes; além disso, o processo pode ser mecânico. Se dormir, ganhará apenas imensas preocupações com prazos e acordará ao som de seus amigos desesperados. O trabalho ficaria ruim. Você têm quatro horas para falar sobre um autor: tempo que me parece demasiado suficiente. Então é hora de respirar, aproveitar o silêncio, coletar informações e reproduzi-las ao máximo. Nos vemos às 8h e pouco.
Ass. Cama

sábado, 23 de novembro de 2013

Não.

Foto retirada daqui

Concentrava-se. Respirava e parecia que era outra pessoa; mais do que isto, não era alguém. Muitos sentimentos, sensações e neuras eram esquecidos e, por alguns instantes, ela se esquecia das dores do viver. A impressão, destarte, não era a de vida, mas a de mecanicismo. Seu quarto não era o mesmo: não era apreendido da mesma maneira. Seu livros poderiam alimentar uma bela fogueira, viabilizando uma experiência interessante; seus eletrônicos deveriam incrementá-la; e suas roupas, que atuavam apenas como máscara aos atributos essencialmente intangíveis, como a redução da vergonha, também seriam combustível à fogueira efêmera.
Tratavam-se de objetos apenas: sem ligação emocional, despidos das lembranças e experiências que lhe traziam em dias normais, não havia iluminação que os valorizassem. Tudo era apenas o aspecto objetivo e material, muito era insuportavelmente vazio; ela, apenas aquele corpo despenteado, ensebado e com olheiras escuras dos sons enjoativos. Este se movia e proferia através daquela voz chata. Sentia-se feliz por gostarem dela daquele jeito e com sorte devido à interpretação, no cotidiano, além do mecanicismo. Contudo, podia não ser sorte, afinal, a voz enjoativa, além de não ameaçar a beleza da voz de ninguém, também era capaz de trazer palavras de conforto.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

As coisas se acertam, mas queria que essa calmaria interna, quentinha e confortável, provocada pelo chá que havia tomado agora, permanecesse por mais tempo. As vírgulas já não eram intuitivas, não reconhecia a si mesma; mas esta era outra questão.

domingo, 27 de outubro de 2013

Estações

É a vida. Ensinou-me uma mensagem, deu dever de casa e partiu a levar o que restava e havia se transformado de e em mim a outra estação; as palavras proféticas de sua mãe vestiam-na bem aqui: a maior mudança nela era apreendida agora, hoje, temporalmente um ano depois. É um aprendizado muito fácil o de ter consideração, mas bem difícil o de perceber que, com pessoas compromissadas com a vida, ou se entra integralmente no jogo delas, ou não se brinca. Sinceramente, esta era uma definição que devia aplicar para com qualquer pessoa.

Cada um que passa em nossas vidas deixa sua marca, sua assinatura e, às vezes, não compartilha o trem até o fim; outras, voltamos algumas estações e nos reencontramos, ou apenas avistamos o trem daquele próximo. É interessante, mesmo, quando compartilhamos a viagem apenas através das transformações mutuamente provocadas, enfatizando a relevância da parada naquela estação. Acima de tudo, devia agradecer a vida que os amigos lha proporcionavam através de sua presença - física, emocional ou em seu próprio comportamento. Amava-os todos; deveria, também, amar si mesma.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

À noite

Travada. Este fenômeno ocorria com tanta frequência na hora de escrever trabalhos que resolveu relatá-lo aqui. Resolveu contar como as estrelas são ótimas companheiras, além do como é fácil nascerem atividades procrastinadoras, o que é, ou não, quase o mesmo que descrever o quão travada se sentia. Quando não tivesse o que fazer, deveria decidir escrever uma espécie de artigo de uma matéria chata para que estas ideias aflorassem e ela se despisse do tédio. Por ora, aqueceria o teclado com ideias alheias: era outra tática.

A noite era linda; adorava seu silêncio macio que, na maior parte do período, acalentava o interior. Por demais, apreciava também os sons do ambiente; passavam vários aviões na região e, em um horário, um espaço e uma altura da nave específicos, era capaz de ouvir seu motor. Da primeira vez, assustou-se; hoje, já estava habituada e gostava. Era como se a rua rugisse - e, para consultas futuras, digo para você voltar àquela biblioteca e pegar aquele livro sobre as ruas -, ou estivesse ventando muito, porém com a ausência da sensação de toque; o cheiro também era bastante diferente. Olhou para cima e viu os motores navegando em meio aos reflexos no céu.

Esquecera-se das estrelas, é verdade, mas realmente elas não estavam tão à vontade hoje, ofuscadas pelas gotas de chuva e pela percepção daquele avião. Sim, a chuva também estava muito convidativa hoje, regava a vontade de tomar um verdadeiro e inconsequente banho de chuva: com certeza seria um frio agradável.

Ao menos aqui, o mundo da imaginação era coexistente à realidade. Não havia rigor para com a escolha de palavras, nem o uso de consultas; caso houvesse erros, seria o mundo da imaginação se resignificando, agregando novos sentidos e valores. Esta chamada liberdade voava ao lado daquela nave e trazia mais sensações auditivas àquela rua.

Imagem retirada daqui

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Muita,muitamuitamuitamuitamuintamultamutamu coisa na cabeça. Não sei, não sei, não se entende, não se sabe; coragem. Que o dia seja bom. Tenha um ótimo dia!

sábado, 21 de setembro de 2013

Morangos retirados daqui
Transforme sua insegurança e aquilo o qual não consegue dizer, uma a uma, em palavras escritas. Não tente engoli-las com comida; por mais prazerosa que esta seja, infelizmente, não irá melhorar nada.

Encontre uma página em branco, reencontre aquele amigo que o conhece melhor do que ninguém, reencontre a paz de espírito.