quinta-feira, 22 de maio de 2014

Fios de chuva que não foram embora

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"Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço. E que essa tensão que me corrói, por dentro, seja um dia recompensada...Que o convívio comigo se torne, ao menos, suportável." (Oswaldo Montenegro)

Deitada. Deixava que cada gota perpassasse seu tear; escorriam de seus cabelos e de sua coluna vertebral. Arrepiava. Dava frio. Aliviava. Aliada à gravidade, esperava que o peso a atravessasse e deixasse.
Sentia-se cansada sob inúmeros aspectos e procurava motivações; por este motivo, achava que se sentiria melhor se uma pessoa fosse a motivação. Ocorria, então, que este era o maior dos problemas. À sua ótica, as relações pessoais eram simbióticas, essencialmente, quando ambos estavam alinhados. Sob a conjuntura pessoal, através do  humor e da rotina individual, é que ambos se tornavam capazes da motivação conjunta (caso esta existisse). Suas palavras vulgares diriam que esta motivação seria plausível, apenas, quando ambas as partes envolvidas não necessitassem do outro, sentindo-se bem e independentes naturalmente. Caso não estivesse bem, os encontros fraquejariam ao fortalecimento da dor advinda da desmotivação; não poderia ver como se superar.
Dormir não resolveria, não. Do que precisava era de uma grande, boa, ex e intensa conversa. Necessitava daquele trocadilho de palavras, daquela limpeza da alma, daquela aspiração dos detalhes imperfeitos por uma estrutura invisível que lhe fosse exterior. Não importava que não existisse: que esta, ela, ou a própria conversa fosse abstrata ou inexistente. Pedia apenas que a ilusão não fosse: que não fosse inexistente, que não fosse embora.