quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Sentimentos bons são mais fortes, mas é mais difícil abandonar os ruins

Focar nos aspectos positivos ao longo da rotina traz bem estar verdadeiro; entretanto, em nosso dia a dia, deparamo-nos com diversos problemas e dificuldades naturais que retém a nossa atenção de alguma maneira.

Ao pensar nas situações difíceis que nos são apresentadas, muitas vezes, damos demasiado foco a elas: contamos a quem está ao nosso redor, reclamamos para alguém (geralmente estimado) no whatsapp. Não contentes, muitas vezes, levamos a temática para discutir no horário do almoço, reclamar mais e dar mais foco ao que está ruim. Ainda não contentes, ao ouvir a queixa de alguém, naturalmente lembramos de um caso em que ocorreu algo semelhante. Com frequência, enveredamos a reclamação para o nosso lado, roubando o foco negativo. "Nossa, mas você não sabe o que aconteceu comigo ontem. [...] Foi muito pior."

E, então, vive-se uma disputa para eleger a pior história, a que traz mais insatisfação e sofrimento, a que merece mais destaque entre as diversas bençãos que surgem diariamente.

É fácil escrever e afirmar a ênfase que os sentimentos e situações bons merecem, porém, no dia a dia, basta um medo, para que toda emoção boa se esvaia. Basta acordar com sono, questionando a necessidade de despertar tão cedo, para começar o dia com mau humor e abrir as portas para os sentimentos ruins.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Não se compare

Hoje parece que a leveza se esvaiu das mãos deles. Não sabia dizer se tratava-se de uma consequência dos medos e das tensões cotidianos e existenciais - especialmente para ela - ou se era uma questão entre eles.

Após um dia de muitos medos e dúvidas, concluiu algo que deveria ter entendido há tempos: nós somos diferentes. Apesar de preferências culinárias semelhantes, ela era de Humanas; ele, de Exatas; ele adora cerveja; ela prefere destilados; ele come rápido; ela, devagar; ele quer construir uma carreira sólida, rica e previsível; ela, uma marca social no mundo.

Talvez seja Aristóteles, outro sábio filósofo da Antiguidade, ou algum pensador da Idade Moderna ou Contemporânea - como esse texto tem a finalidade de registrar um desabafo, não é pertinente por ora -, mas existem duas formas de amor diferentes segundo ele.

Uma delas acontece quando o casal é formado por duas pessoas com características deveras semelhantes. É como se você amasse um reflexo de si próprio (como Narciso?). A outra maneira ocorre quando duas pessoas têm características opostas. Talvez as qualidades de um devam ser - mais do que respeitadas - admiradas e completadas pelas peculiaridades do outro.

Durante aproximadamente 16 meses, não se sabe como, a moça achou que o amante tinha características muito semelhantes às dela. Chegou a questionar-se o motivo de um amor com tantas semelhanças e admiração pessoal e narcísica. Ocorre que, após alguns questionamentos existenciais propiciados pelas atitudes do rapaz, ela conversou com sua melhor amiga. Ela, por sua vez, recomendou que a moça não se comparasse com ele; afinal, eram bastante diferentes.

Esta percepção trouxe um pouco de paz. É nos momentos de dificuldade que mais se evolui, cresce, fortalece e amadurece. Compreendendo que as diferenças são maiores do que as semelhanças - não só entre o casal, mas para todas as pessoas do nosso pequenino planeta - os próximos dias deverão ser melhores e movidos por mais compreensão.