domingo, 17 de maio de 2015

Nada é. Tudo está.

Faz tempo que não escrevo, mas sinto que este seria um recurso honesto em prol de me manter em equilíbrio na semana seguinte.

O medo de, cada vez mais, prender-se a uma prática de missão não satisfatória e não eudaimônica vinha se tornando maior. Aliado a isso sabia que, quanto mais temesse, pior ficava; fosse porque sentir medo torna a própria sensação de medo mais intensa e, por consequência, pior; ou porque seu próprio pensamento a atrasava e atuava como uma barreira para as mudanças boas acontecerem. Especialmente no que concerne ao segundo mecanismo de piora, sabia que era necessário desapegar. 

Do grafiteiro Banksy
Há pouco tempo, havia entrado em contato com a ideia de desapego como uma percepção sobre a vida. Quando se diz que alguma coisa nos pertence ou é de determinada maneira, criamos mecanismos que geram segurança e confiança com relação ao estado das coisas. Assim, dizemos frases como “minha casa é bonita”, “Fulano é meu amigo”, e por aí continua... e nos sentimos bem! Como consequência, apegamo-nos ao nosso lar que está bonito e ao Fulano que está nosso amigo (por exemplo).

Então quando o objeto de um apego muda seu estado simplesmente porque ele é submetido a circunstâncias de mudança ou porque ele é um ser vivo com o poder de querer se modificar, ocorre uma decepção enorme. Além disso, quanto mais o apego acontece, sinto que mais há dificuldade para os movimentos fluírem.

É bastante comum perceber que, quando “desistimos” de algo, aquilo começa a funcionar ou se torna verdade. Penso que isso acontece porque o desapego permite que as circunstâncias se disponham bem.
Hoje estou sem internet, não pude colocar uma tarefa em dia, estou incapaz de ouvir músicas diferentes e que me acalmem ou anestesiem; também não consegui passear com alguém. Passei o dia com poucos recursos e com o excesso da minha própria companhia. Espero que não me aborreça e prossiga a semana como se tivesse tido o melhor dos finais de semana. O que é que faz a diferença?