Mostrando postagens com marcador danger. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador danger. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de março de 2016

Profundo Medo Existencial

Encontrei-me pensando que não quero morar na cidade em que vivo hoje, não estou satisfeita com o meu emprego, e mais, sinto-me deveras mal ao longo do dia e quando saio do escritório, momento em que talvez devesse sentir alívio. Isto me faz pensar que talvez o problema esteja em mim, na minha não adequação pessoal à área profissional escolhida, nem à cidade abarrotada de pessoas. Pessoas nos ônibus, pessoas que impedem o fechamento dos trens. Pessoas que, como eu, descem do transporte público e caminham alguns quarteirões quando ele fica estagnado pela chuva que acomete a cidade cinza com tanta frequência.

Não quero reclamar, não devo reclamar, não posso reclamar, mas hoje foi o dia mais difícil do ano para obedecer a este mantra.

Tinha pendências na faculdade e quis cumpri-las apesar de ter decidido não ir à aula. À tentativa de manter a discrição, as lágrimas se despediram dos meus olhos da estação brigadeiro ao final da linha amarela. E também no ônibus. Às vezes, questiono quantas pessoas choram no transporte público no cotidiano. Como a maioria das dos cidadãos obedece a uma norma social de respeito à privacidade, não olha para quem compartilha aquele espaço aperto. 

Quando olhares se cruzam, não é educado observar fixamente, mesmo que esteja paquerando o outro. Certa vez, li que estar muito próximo de alguém representa uma ameaça, um tipo de violência. Como somos forçados a manter uma distância agressivamente próxima dos outros no transporte público, permanecemos tensos, alertas e desconfortáveis por invadir a intimidade de todos. Sendo assim, mirar a expressão facial dos outros e descobrir se há pessoas chorando não é adequado.

Cheguei à faculdade. Avistei meu amigo e fiz o máximo de esforço para não chorar de novo. Cumprimentei-o normalmente. Ele, então, perguntou “Você está bem?”. Nos momentos em que nos sentimos mais triturados do que farinha de trigo branco, esta simples pergunta é capaz de trazer todo o mal-estar indesejado que tentamos afastar da consciência. 


Abracei-o e derramei o pranto que me perseguia há alguns dias. Eu afirmava que não queria chorar e lhe pedia desculpas. Internamente, estava muito grata pela presença daquele ombro amigo, uma das motivações para continuar vivendo na selva de pedra. Acalmei a voz e enunciei os fatores que faziam  me sentir mal, incluindo dor nos ombros e no estômago. Ele disse para eu fazer algo de que gostasse, assistir a um filme, descansar e tomar um chocolate quente. Em outras palavras, não havia consolo para o que eu sentia. À falta de uma argumentação com fatores que fariam me sentir melhor, o apelo foi emocional. Para que eu não vivesse o sofrimento de maneira tão intensa, deveria procurar sensações agradáveis e alienantes.

Isto me recorda a última aula que tive sobre planejamento. Grande estudiosa do comportamento humano, a professora mencionou que é extremamente compreensível e digno que as novelas façam tanto sucesso em um país em desenvolvimento e em crise como o Brasil. Alguma hora do dia, os espectadores precisam se dar ao direito de ter conforto, já que não o encontram no cotidiano da vida real.

Amanhã de manhã, quando acordar, o rosto inchado não deixará esquecer como me sinto hoje. Ainda é terça-feira. Imagine o final da semana...

domingo, 20 de setembro de 2015

O futuro nos assusta

Súbito, em uma indecisão sobre estadia quando fosse viajar a trabalho, sua mente ficou muito mais borrada e confusa do que deveria. Consumiu a cota mensal de choro, sim, senhores. Faz parte. O conceito estereotipado de família não cabia à dela. Sabia disso. Ocorre que hoje a discussão interna e os pensamentos foram mais além. Assumiu que todos necessitam de uma família e sentem falta. Inclusive ela. Inclusive uma pessoa próxima que havia se afastado de seus familiares. Ele, desertor de sua família, havia adotado outras pessoas como suas queridas. Mesmo que dissesse que não se importava com a família, preocupava-se com as pessoas que pertenciam a esse grupo novo.
Seu chão se desfez com essa descoberta: a família era fundamental a essa pessoa; não sua própria, mas a que fora adotada. Todos precisavam de uma família.
Muitas pessoas não podiam  ser classificadas como família, apesar do parentesco sanguíneo. Se, na cidade onde morava, havia familiares que não eram família, imagina em outro Estado?! Ocorre que o senso comum lhe dizia que essas pessoas podiam ser consideradas.
Além disso, encontrou-se pensando sobre os próximos meses e anos: com quem moraria? Seu irmão estaria próximo? Seu parceiro gostaria de morar junto? E você? Haveria algum parceiro? E se seus amigos próximos se mudassem? Os questionamentos sobre sua profissão e a graduação que gostaria de estudar também tomaram conta dela. Este sonho se afastava, cada vez mais, à medida em que as responsabilidades de adulto eram fortalecidas.
Especialmente hoje, gostaria de conversar com alguém querido sobre essas dificuldades e medos. Não havia ninguém perto. Apesar de ter amizade com uma vizinha, não sentia liberdade, proximidade e intimidade suficientes para perturbá-la com este assunto. Não queria aceitar o convite de um vizinho para assistir a um filme. Sentia uma vontade de permanecer, o máximo de tempo possível, imóvel. Não ansiava por sair, divertir-se ou aproveitar a alienação das boates, aquela batida acolhedora e o som que superaria a altura de seus pensamentos.
De alguma maneira, o tempo hoje a lembrava os dias no interior, quando a temperatura muito quente diminuía exponencialmente a vontade dos seus parentes saírem de casa, e cabia a ela caminhar até o mercado mais próximo para comprar um pão com sorvete e caminhar com o cachorrinho. Nesses tempos, os maiores problemas eram as dificuldades de sua mãe e a maneira como ela as tornava mais intensas. Caso precisasse, alguém a levaria ao hospital para receber um tratamento à gripe; haveria companhia para o almoço, alguém que se preocupasse com ela caso não se sentisse capaz, e uma razão para gastar com comidas gostosas diferente do nervosismo da solidão.
Aqui também era sua casa. O calor e o ambiente agradável, que lhe remetiam ao conforto do antigo lar e às pessoas que se importavam com ela, deveriam ser interpretados como um sinal de que estava em casa.

domingo, 17 de maio de 2015

Nada é. Tudo está.

Faz tempo que não escrevo, mas sinto que este seria um recurso honesto em prol de me manter em equilíbrio na semana seguinte.

O medo de, cada vez mais, prender-se a uma prática de missão não satisfatória e não eudaimônica vinha se tornando maior. Aliado a isso sabia que, quanto mais temesse, pior ficava; fosse porque sentir medo torna a própria sensação de medo mais intensa e, por consequência, pior; ou porque seu próprio pensamento a atrasava e atuava como uma barreira para as mudanças boas acontecerem. Especialmente no que concerne ao segundo mecanismo de piora, sabia que era necessário desapegar. 

Do grafiteiro Banksy
Há pouco tempo, havia entrado em contato com a ideia de desapego como uma percepção sobre a vida. Quando se diz que alguma coisa nos pertence ou é de determinada maneira, criamos mecanismos que geram segurança e confiança com relação ao estado das coisas. Assim, dizemos frases como “minha casa é bonita”, “Fulano é meu amigo”, e por aí continua... e nos sentimos bem! Como consequência, apegamo-nos ao nosso lar que está bonito e ao Fulano que está nosso amigo (por exemplo).

Então quando o objeto de um apego muda seu estado simplesmente porque ele é submetido a circunstâncias de mudança ou porque ele é um ser vivo com o poder de querer se modificar, ocorre uma decepção enorme. Além disso, quanto mais o apego acontece, sinto que mais há dificuldade para os movimentos fluírem.

É bastante comum perceber que, quando “desistimos” de algo, aquilo começa a funcionar ou se torna verdade. Penso que isso acontece porque o desapego permite que as circunstâncias se disponham bem.
Hoje estou sem internet, não pude colocar uma tarefa em dia, estou incapaz de ouvir músicas diferentes e que me acalmem ou anestesiem; também não consegui passear com alguém. Passei o dia com poucos recursos e com o excesso da minha própria companhia. Espero que não me aborreça e prossiga a semana como se tivesse tido o melhor dos finais de semana. O que é que faz a diferença?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Queria que fosse um pesadelo, mas não era. Desesperada e profundamente, desejava que qualquer solução mais fácil - que não envolvesse coragem individual, como a do suicídio - lha tirasse da sua conjuntura no momento. Inclusive, procurava toda e qualquer saída que pudesse comprovar que estava imaginando ou criando e se envolvendo a esse sentimento ultra intenso de erro e de insatisfação.
Concomitante a essa sensação por demais intensa, estava anestesiada. Por mais estranho que uma descrição cinematográfica seja, encaixava-se como uma luva desenhada à mão: enxergava tudo em câmera lenta. Não se incomodava com a universidade e a casa, pelo contrário, amava-as - ou a ideia que representavam -, mas sua presença se anulava à dor daquela sensação.
Como consequência, sentia-se a criatura mais carente do mundo: sob aquela visão embaçada, queria o abraço da primeira pessoa no transporte público que parecesse demonstrar um pouco de compaixão.

sábado, 23 de novembro de 2013

Não.

Foto retirada daqui

Concentrava-se. Respirava e parecia que era outra pessoa; mais do que isto, não era alguém. Muitos sentimentos, sensações e neuras eram esquecidos e, por alguns instantes, ela se esquecia das dores do viver. A impressão, destarte, não era a de vida, mas a de mecanicismo. Seu quarto não era o mesmo: não era apreendido da mesma maneira. Seu livros poderiam alimentar uma bela fogueira, viabilizando uma experiência interessante; seus eletrônicos deveriam incrementá-la; e suas roupas, que atuavam apenas como máscara aos atributos essencialmente intangíveis, como a redução da vergonha, também seriam combustível à fogueira efêmera.
Tratavam-se de objetos apenas: sem ligação emocional, despidos das lembranças e experiências que lhe traziam em dias normais, não havia iluminação que os valorizassem. Tudo era apenas o aspecto objetivo e material, muito era insuportavelmente vazio; ela, apenas aquele corpo despenteado, ensebado e com olheiras escuras dos sons enjoativos. Este se movia e proferia através daquela voz chata. Sentia-se feliz por gostarem dela daquele jeito e com sorte devido à interpretação, no cotidiano, além do mecanicismo. Contudo, podia não ser sorte, afinal, a voz enjoativa, além de não ameaçar a beleza da voz de ninguém, também era capaz de trazer palavras de conforto.

sábado, 17 de agosto de 2013

Café com leite no copo de acrílico para cerveja

Ela nunca havia parado para escrever sobre esse assunto. Talvez porque fosse algo que não pudesse, não merecesse ser simplificado à singeleza das palavras. Ocorre que, muitas vezes na vida, começamos a entender o significado das palavras clichê e o quanto - cada um a seu tempo - todos os seres humanos se importam e têm reações semelhantes a situações típicas.
Somos seres egoístas. Sentimos falta quando o outro está melhor e choramos. Choramos com grande facilidade, porém preferimos acreditar que as lágrimas são de felicidade, ou da saudade enquanto representativa da felicidade; nunca da tristeza. Talvez nenhuma despedida seja perfeita, apesar de saber que a sua foi bastante boa. Sim, eu fico triste por não ter mais você comigo, à medida também em que questões existenciais permeiam minha cabeça. E você tinha um jeito muito especial, muito paciente de falar sobre várias coisas e de contar histórias maravilhosamente bem. Com suas generalizações e preconceitos demonstrados de maneira paciente, você talvez tenha sido a única pessoa a quem eu respeitava e me encantava deste jeito, com seu jeito de falar. Sei, ao menos, que fiz o possível para te conhecer a partir da minha maturidade, daquele momento em que aprendemos por nós mesmos a quem apreciamos dar valor. É evidente que, a mim, pareceu pouco tempo.
Hoje, peguei-me pensando em você e lembrei da vez em que visitei com minha mãe um lugar que você gostava muito. Acontece que você não estava junto, mas eu pretendia visitar o lugar novamente com você. Cheguei em casa, mostramos as fotos; acho que faltaram fotos dos canhões. No café da manhã do dia seguinte, fui presenteada com histórias sobre aquele lugar; assim, em suma, foi criada uma lembrança de uma visita àquele lugar com você na minha cabeça. E me peguei pensando nos lugares que você tanto gosta, tanto admira a beleza. Admiro muito as pessoas que, de um jeito muito simpático, formam-se como exemplos de personagens típicas com características fortemente marcadas; no seu caso, dignas de respeito, de um bom ouvido, de bons minutos com pijama na mesa da cozinha à luz de um café com leite num copo de acrílico, ou de uma segunda fatia de pão acompanha de mais um casaco, naquele friozinho do inverno constante da serra, só para poder ficar mais tempo quando me perguntava "Ei, menina, já tomou café?".
E chegamos ao fim da jornada. Sem dúvida, foi uma jornada linda.
Ao contrário do que dizem os filmes, podemos, sim, recordarmo-nos das histórias de pessoas assim sem sentir tristeza. Devemos contar os bons momentos, as boas recordações e aprendizados, enquanto vamos confortando nós mesmos, nos ensinando a viver à ausência. Devemos, às vezes, lembrar do Lenin, com suas verdades desenvolvidas a partir do ato de mentir, ou do Goebbels, acreditando no poder de uma propaganda nos momentos pertinentes e guardar tudo como boas recordações em um grande cofre da vida. Meu cofre deve aumentar sua aura de encantamento a cada dia, a cada investimento ou ação que me faz valorizá-lo.
Sei também que meu subconsciente recordou-se de você em várias situações do último dia - como vai acontecer para sempre - e foi um ótimo gatilho para, finalmente, eu realizar um esforço consciente e deixar algumas palavras aqui.
 Tenho poucas e muitas crenças, variando de acordo com o ponto de vista, mas tudo o que aconteceu nas últimas semanas me ensinou que não devemos ter medo, muito menos de partir, pois acredito que não me incomodaria se passasse mais um tempo conversando com você.
Todos os momentos importantes levam a reflexões. A partir do pensamento de um querido, acredito que devemos viver para os momentos que nos fazem felizes e para este tipo de pessoas. No fim, tudo pode ser efêmero, e às vezes merece ser.


domingo, 14 de julho de 2013

Vá dormir

Sentia tanto medo ultimamente. Medo de que esta dor de cabeça tricampeã não passasse e medo da estagnação do desagradável. Tantas vezes tinha vontade de abrir mão de bastante do importante em troca de recomeçar a vida em outro lugar. Força para mudar ela tinha, porém seria uma demonstração igualmente grande da fraqueza perante a vida.

Necessitava de alternativas: ainda realizaria grandes coisas; agora, não. Seriam fases e etapas. Seus olhos transpareciam a tristeza, a angústia e a dúvida simplificadas como um sentimento. Perguntaram-lhe o porquê daquele. Ocorre que, como todos os sentimentos, ele intensifica-se quando descrito e torna-se pior quando lhe descrevemos cenas relacionadas. Não é agradável. Não havia como simplificar também. Seu próprio desabafo poderia durar uma noite sem, contudo, ser transmitido adequadamente; muito menos, sanado. Era inútil, apesar de a utilidade não estar em questão aqui.

A pergunta certa era sobre o porquê da felicidade. Ela sempre existe e merece ser enaltecida a todos os que percorrem dificuldades - concebidas - infindáveis. Todos vivem, nem todos vivenciam, nem todos sentem à maneira adequada. Nem todos sabem o que é adequado.

Por ora, apenas, desejava desesperadamente algo que lhe desse mais paz de espírito e sanasse dor de cabeça. Como tudo o que é paliativo nela, esperava que sua cama produzisse, ao menos, uma cura momentânea. Era um começo ótimo. Tudo tratava-se de um começo.
- Por que tanta incompletude?
- Todo começo é incompleto. Você sabe que o câmbio se deve ao ponto de vista.

Retirada daqui

domingo, 10 de março de 2013

Contradições e confusões a serem ordenadas

Imagem retirada daqui
Rever, escrever, organizar! Até onde vai o livre arbítrio?

Perguntava-se qual a razão... A vida, de fato, era como um cubo mágico no qual seu maior objetivo era tornar mais da metade do número de faces arrumadas; a desordem nos fazia ir em frente, nem que fosse pelo senso comum ou uma força de coerção social, porém havia uma razão maior para hoje?

Enquanto lia um texto a respeito desta coerção atuante em formas de crenças e regras a que todos obedeciam de maneira forçada ou não, angustiava-se a respeito do livre arbítrio. 
Se o homem era eternamente responsável por suas ações, pois estava condenado a ser livre na lógica de Sartre, como o cerceamento desta condenação podia ser pior pena? Pois era. Auxiliando esta lógica, encontramos outra a qual nos diz que a educação de uma criança é o ato de ensiná-la coisas as quais não aprenderia espontaneamente. Calma!

Sim, parece óbvio que fazemos este curso sobre a sociedade enquanto novinhos da mesma maneira que frequentamos escolas e faculdades para aprender algo; porém ocorre que este primeiro curso não decorre do livre arbítrio - ao contrário dos outros- e a partir dele nos tornamos aptos a seguir todas as demais regras, pensamentos e hábitos usuais socialmente.

Até aqui, sem problemas se pensarmos que uma criança não tem a consciência tão formada. Mas e se tiver? E se esta educação forçada - assim como inúmeros fatos sociais a que estamos acomodados - fosse uma das razões de demorarmos tanto tempo a atingir a maioridade kantiana: caminharmos conscientemente como causa de nossas ações?

Parece incompatível observar o aspecto social no qual, sob um olhar estatístico, obedecemos a fatos sociais e agimos sempre de acordo com um comportamento, bem como o individual, pelo qual sentimo-nos ordenadores de nossos pensamentos e ações. No entanto, de maneira comum neste cubo mágico, sabemos que as contradições se complementam.

Não bastava a sociedade, comportamentos e sensações especificas também nos influenciam fortemente; sim, nos influenciam, mas nunca nos impedem de tomar ações, talvez apenas as éticas e companheiras. Então impedem?

 Tratava-se de um jogo de constante angústia: a culpa não era sua, sempre seria minha devido à liberdade; enquanto sua presença ao lado de sua angústia pessoal ocupava parte de meus pensamentos. Dela, seus, meus em todos os aspectos digressivos e indireto-livres presentes aqui.

Além do social, havia o aspecto fisiológico. O mal estar também atuava como cerceador de livre arbítrio.

Era forçoso compreender que tudo não estava sob seu controle, a causa aqui era externa e independente.

Pensamentos e conversas sempre haviam sido a maior representação do real para ela. Não importava o que acontecia, enquanto pensávamos, refletíamos e tirávamos conclusões valorosamente; os acontecimentos tratavam-se da contribuição mais forte para esse material de pensamento.

 No fim, tudo seriam memórias, ou seja, pensamentos construídos a partir dos mais valorosos momentos e companhias. A influência do livre arbítrio na formação daqueles não importava nesta atual digressão.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Paralisia manu-mental

O medo começava a paralisá-la. Não conseguia se concentrar, parecia não saber raciocinar; teimosamente, cria que tudo era difícil e evitava ao máximo confrontar seus objetivos. Estava muito insegura para com o desafio maior e parecia ter medo até mesmo de treinar para ele.

Era necessário adquirir coragem, abraçar o fracasso antes da batalha: só assim não se preocuparia e talvez conseguisse a chamada concentração. Tivera-a até pouco tempo, porém, agora, parecia-lhe sonhador demais acreditar em suas virtudes, seus talentos e seu conhecimento.

Parecia normal se sentir tão paralisada por si mesma...Tudo tornava seus músculos pesados, sua mente permanentemente sonolenta, adormecida, sem saber qual paralisia viera primeiro: a mental ou a física. Quando tomaria consciência e retomaria as rédeas de sua mente, de seu corpo?
Teria que parar de valorizar este tal medo o qual é tão, inconsequentemente, menosprezado por aí.

Close da pintura "O grito"- Edvard Munch