domingo, 15 de maio de 2016

Risada democrática

Outo dia, li que os bebês são capazes de dar risadas apenas para escutar o riso de sua mãe. 

Foi criado o costume de, aproximadamente duas vezes por semana, amanhecerem um ao lado do outro. O colchão é pequeno, mas estão acostumados a dividi-lo: cada ação deve ser cuidadosa, para evitar que um movimento rápido atue como um golpe ríspido.

As mãos escorregam e anunciam uma cócega de maneira intencional; às vezes, não. Assim que a investida é reconhecida, ela começa a rir. Não compreende a justificativa para o seu próprio comportamento: solta o riso quando entende que ele está rindo, e ela mesma não é capaz de parar, até deixe de cutucá-lo. Seria algum tipo de empatia? Algum recurso não reconhecido para fazê-lo rir mais intensamente?

Trocaram-se os papéis. A moça pede que ele pare o estímulo mecânico que me provoca risos, e é negada: "Mas você tem uma risada gostosa".

Você deve concordar, leitor e leitora, que o comportamento mais democrático é a moça provocar o riso do outro. Além de esse movimento fazê-la rir, ela também gosta de ouvir o riso do moço. Será que era um bebê?