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| Foto retirada daqui |
Concentrava-se. Respirava e parecia que era outra pessoa; mais do que isto, não era alguém. Muitos sentimentos, sensações e neuras eram esquecidos e, por alguns instantes, ela se esquecia das dores do viver. A impressão, destarte, não era a de vida, mas a de mecanicismo. Seu quarto não era o mesmo: não era apreendido da mesma maneira. Seu livros poderiam alimentar uma bela fogueira, viabilizando uma experiência interessante; seus eletrônicos deveriam incrementá-la; e suas roupas, que atuavam apenas como máscara aos atributos essencialmente intangíveis, como a redução da vergonha, também seriam combustível à fogueira efêmera.
Tratavam-se de objetos apenas: sem ligação emocional, despidos das lembranças e experiências que lhe traziam em dias normais, não havia iluminação que os valorizassem. Tudo era apenas o aspecto objetivo e material, muito era insuportavelmente vazio; ela, apenas aquele corpo despenteado, ensebado e com olheiras escuras dos sons enjoativos. Este se movia e proferia através daquela voz chata. Sentia-se feliz por gostarem dela daquele jeito e com sorte devido à interpretação, no cotidiano, além do mecanicismo. Contudo, podia não ser sorte, afinal, a voz enjoativa, além de não ameaçar a beleza da voz de ninguém, também era capaz de trazer palavras de conforto.

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