Sentia tanto medo ultimamente. Medo de que esta dor de cabeça tricampeã não passasse e medo da estagnação do desagradável. Tantas vezes tinha vontade de abrir mão de bastante do importante em troca de recomeçar a vida em outro lugar. Força para mudar ela tinha, porém seria uma demonstração igualmente grande da fraqueza perante a vida.
Necessitava de alternativas: ainda realizaria grandes coisas; agora, não. Seriam fases e etapas. Seus olhos transpareciam a tristeza, a angústia e a dúvida simplificadas como um sentimento. Perguntaram-lhe o porquê daquele. Ocorre que, como todos os sentimentos, ele intensifica-se quando descrito e torna-se pior quando lhe descrevemos cenas relacionadas. Não é agradável. Não havia como simplificar também. Seu próprio desabafo poderia durar uma noite sem, contudo, ser transmitido adequadamente; muito menos, sanado. Era inútil, apesar de a utilidade não estar em questão aqui.
A pergunta certa era sobre o porquê da felicidade. Ela sempre existe e merece ser enaltecida a todos os que percorrem dificuldades - concebidas - infindáveis. Todos vivem, nem todos vivenciam, nem todos sentem à maneira adequada. Nem todos sabem o que é adequado.
Por ora, apenas, desejava desesperadamente algo que lhe desse mais paz de espírito e sanasse dor de cabeça. Como tudo o que é paliativo nela, esperava que sua cama produzisse, ao menos, uma cura momentânea. Era um começo ótimo. Tudo tratava-se de um começo.
- Por que tanta incompletude?
- Todo começo é incompleto. Você sabe que o câmbio se deve ao ponto de vista.
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| Retirada daqui |

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