Simples assim ou não tão simples, há momentos em que algo na vida nos força a tomar a decisão de mudar o rumo de nossos pensamentos e atitudes. Não importa a grandeza da gota d'água, mas a intensidade pela qual é apreendida. Passei por alguns enormes sustos nesse ano - imagino quais potencialmente são os próximos de 2015 e temo bastante caso o padrão atual seja mantido -, principalmente nas últimas semanas, que me fizeram pensar em consequências a longo e, também, curto prazo.
Aliás, esse último período foi tão movimentado que parece que muito mais tempo se passou. Sinto como se nem meu inconsciente fosse capaz de se lembrar de tudo; muito menos eu me recordo, nem meus amigos próximos.
Simplificando o que aconteceu, algo me fez olhar para as pessoas que trabalham comigo e têm 10 a 20 anos a mais do que eu. Observei-os e pensei como seria a minha vida se eu tivesse o que eles têm na fase da vida deles (como altíssimas responsabilidades nos negócios e filhos a caminho). Com certeza, eles eram senhores das responsabilidades que eu também tenho hoje. Possivelmente, eles sentem mais paz com relação a isso, mas por quê? Por que eu não poderia ser assim? Se fosse direcionada a continuar minha vida como é hoje, até quando estaria revoltada? Até quando eu procuraria a felicidade sendo absolutamente cética de que poderia ser feliz profissional e academicamente hoje? E se eu jazesse? E se eu tivesse 15 anos a mais? E se eu fosse mais confiante? E se eu construísse a felicidade à minha maneira todos os dias? E se eu acreditasse que minha vida como estava era eudaimônica em potencial? E se realmente fosse assim?
Ademais, forcei-me a abandonar mais alguns rótulos e a procurar desvendar e analisar a história pessoal de todos os que conheço. Fazia isso sempre que pensava em criticar algum comportamento alheio (de maneira positiva ou negativa), mas agora tronei tal análise uma regra para todos com que converso. É por demais interessante e nos ajuda a não necessitar do uso de preconceitos.
Preciso escrever mais sobre esta tal decisão feliz. É uma atitude de abandonar, ao menos em pensamento, tudo aquilo que é prejudicial ao bem estar.
Aparte, a parte boa é que realmente estou mais leve, satisfeita, livre, feliz e menos ansiosa.
A partir do momento em que outorguei ser feliz e aceitar as circunstâncias e condições da minha vida, assumi o comportamento de procurar os aspectos bons, que rendem histórias bacanas para serem contadas e de que, de alguma maneira, posso ter orgulho de executar cotidianamente.
Penso que, até então, meu costume era o da revolta pela revolta (não consigo lembrar ao certo agora, porém existe um nome bonito para isso). Simplificadamente, não me orgulhava de nada, sentia-me angustiada com facilidade e queria uma pausa para tudo o mais cedo possível: estava por um fio. Ocorre que a melhor pausa foi um rompimento de fato com aquele comportamento desfavorável. Pausei a angústia e me abri ao contentamento frequente.