É um medo de esquecer a angústia
E de viver décadas à indiferença
À automatização
À alienação
Um brinde
A uma dívida
Seguir em frente
A o que conforta
Mais um dia sem dores
Sem ombros
Sem consciência
Sem pés cansados
Sobre o entorpetence
Não há lágrimas
Meu conforto
Dois brindes
Ele precisa
Não quero esquecer como me sinto e me tornar indiferente até o momento em que minhas estruturas se rompam. De novo. Se escrevo sobre sensações muito pesadas, é por que quero libertação. Acredito que posso me curar. Desta vez, quero provocar uma mudança efetivamente no meu ser. Quero ter a força para lutar por dias mais leves.
flush my mind flush your mind flush their minds flush your flush flush the routine flush your personal toilet flush the shit inside your head
domingo, 13 de março de 2016
quarta-feira, 2 de março de 2016
Profundo Medo Existencial
Encontrei-me
pensando que não quero morar na cidade em que vivo hoje, não estou satisfeita
com o meu emprego, e mais, sinto-me deveras mal ao longo do dia e quando saio
do escritório, momento em que talvez devesse sentir alívio. Isto me faz pensar
que talvez o problema esteja em mim, na minha não adequação pessoal à área profissional
escolhida, nem à cidade abarrotada de pessoas. Pessoas nos ônibus, pessoas que impedem
o fechamento dos trens. Pessoas que, como eu, descem do transporte público e
caminham alguns quarteirões quando ele fica estagnado pela chuva que acomete a
cidade cinza com tanta frequência.
Não
quero reclamar, não devo reclamar, não posso reclamar, mas hoje foi o dia mais
difícil do ano para obedecer a este mantra.
Tinha
pendências na faculdade e quis cumpri-las apesar de ter decidido não ir à aula.
À tentativa de manter a discrição, as lágrimas se despediram dos meus olhos da
estação brigadeiro ao final da linha amarela. E também no ônibus. Às vezes, questiono
quantas pessoas choram no transporte público no cotidiano. Como a maioria das dos
cidadãos obedece a uma norma social de respeito à privacidade, não olha para
quem compartilha aquele espaço aperto.
Quando
olhares se cruzam, não é educado observar fixamente, mesmo que esteja
paquerando o outro. Certa vez, li que estar muito próximo de alguém representa
uma ameaça, um tipo de violência. Como somos forçados a manter uma distância
agressivamente próxima dos outros no transporte público, permanecemos tensos,
alertas e desconfortáveis por invadir a intimidade de todos. Sendo assim, mirar
a expressão facial dos outros e descobrir se há pessoas chorando não é
adequado.
Cheguei
à faculdade. Avistei meu amigo e fiz o máximo de esforço para não chorar de
novo. Cumprimentei-o normalmente. Ele, então, perguntou “Você está bem?”. Nos
momentos em que nos sentimos mais triturados do que farinha de trigo branco,
esta simples pergunta é capaz de trazer todo o mal-estar indesejado que
tentamos afastar da consciência.

Abracei-o
e derramei o pranto que me perseguia há alguns dias. Eu afirmava que não queria
chorar e lhe pedia desculpas. Internamente, estava muito grata pela presença
daquele ombro amigo, uma das motivações para continuar vivendo na selva de
pedra. Acalmei a voz e enunciei os fatores que faziam me sentir mal, incluindo dor nos ombros e no
estômago. Ele disse para eu fazer algo de que gostasse, assistir a um filme,
descansar e tomar um chocolate quente. Em outras palavras, não havia consolo
para o que eu sentia. À falta de uma argumentação com fatores que fariam me
sentir melhor, o apelo foi emocional. Para que eu não vivesse o sofrimento de
maneira tão intensa, deveria procurar sensações agradáveis e alienantes.
Isto me
recorda a última aula que tive sobre planejamento. Grande estudiosa do
comportamento humano, a professora mencionou que é extremamente compreensível e
digno que as novelas façam tanto sucesso em um país em desenvolvimento e em
crise como o Brasil. Alguma hora do dia, os espectadores precisam se dar ao direito
de ter conforto, já que não o encontram no cotidiano da vida real.
Amanhã
de manhã, quando acordar, o rosto inchado não deixará esquecer como me sinto hoje.
Ainda é terça-feira. Imagine o final da semana...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Feliz sonho
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| Créditos da imagem |
Fazendo uma retrospectiva de 2015, amplia-se a consciência de que, neste ano, minha vida mudou em todos os aspectos. Isso me trouxe tanta felicidade que, às vezes, duvido sobre a materialidade do que estou vivendo. Para o que vivo e sinto hoje ser possível, este ano quebrou as minhas pernas em todas as três grandes facetas da vida: pessoal, acadêmica e profissional. Rumo à segunda metade da volta em torno do Sol, as renovações me proporcionaram uma felicidade progressiva.
Comumente, encontro-me questionando o que há de errado na faceta amorosa e, ao ter a certeza de que estou em uma fase genuinamente eudaimônica, lembro-me de que ainda existe um equilíbrio no somatório das esferas da vida. Afinal, minha saúde anda péssima e a nova vida profissional continua trazendo incertezas excessivas.
domingo, 20 de setembro de 2015
O futuro nos assusta
Súbito, em uma indecisão sobre estadia quando fosse viajar a trabalho, sua mente ficou muito mais borrada e confusa do que deveria. Consumiu a cota mensal de choro, sim, senhores. Faz parte. O conceito estereotipado de família não cabia à dela. Sabia disso. Ocorre que hoje a discussão interna e os pensamentos foram mais além. Assumiu que todos necessitam de uma família e sentem falta. Inclusive ela. Inclusive uma pessoa próxima que havia se afastado de seus familiares. Ele, desertor de sua família, havia adotado outras pessoas como suas queridas. Mesmo que dissesse que não se importava com a família, preocupava-se com as pessoas que pertenciam a esse grupo novo.
Seu chão se desfez com essa descoberta: a família era fundamental a essa pessoa; não sua própria, mas a que fora adotada. Todos precisavam de uma família.
Muitas pessoas não podiam ser classificadas como família, apesar do parentesco sanguíneo. Se, na cidade onde morava, havia familiares que não eram família, imagina em outro Estado?! Ocorre que o senso comum lhe dizia que essas pessoas podiam ser consideradas.
Além disso, encontrou-se pensando sobre os próximos meses e anos: com quem moraria? Seu irmão estaria próximo? Seu parceiro gostaria de morar junto? E você? Haveria algum parceiro? E se seus amigos próximos se mudassem? Os questionamentos sobre sua profissão e a graduação que gostaria de estudar também tomaram conta dela. Este sonho se afastava, cada vez mais, à medida em que as responsabilidades de adulto eram fortalecidas.
Especialmente hoje, gostaria de conversar com alguém querido sobre essas dificuldades e medos. Não havia ninguém perto. Apesar de ter amizade com uma vizinha, não sentia liberdade, proximidade e intimidade suficientes para perturbá-la com este assunto. Não queria aceitar o convite de um vizinho para assistir a um filme. Sentia uma vontade de permanecer, o máximo de tempo possível, imóvel. Não ansiava por sair, divertir-se ou aproveitar a alienação das boates, aquela batida acolhedora e o som que superaria a altura de seus pensamentos.
De alguma maneira, o tempo hoje a lembrava os dias no interior, quando a temperatura muito quente diminuía exponencialmente a vontade dos seus parentes saírem de casa, e cabia a ela caminhar até o mercado mais próximo para comprar um pão com sorvete e caminhar com o cachorrinho. Nesses tempos, os maiores problemas eram as dificuldades de sua mãe e a maneira como ela as tornava mais intensas. Caso precisasse, alguém a levaria ao hospital para receber um tratamento à gripe; haveria companhia para o almoço, alguém que se preocupasse com ela caso não se sentisse capaz, e uma razão para gastar com comidas gostosas diferente do nervosismo da solidão.
Aqui também era sua casa. O calor e o ambiente agradável, que lhe remetiam ao conforto do antigo lar e às pessoas que se importavam com ela, deveriam ser interpretados como um sinal de que estava em casa.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
Vias novas
Na quinta-feira da semana passada, ela recebera o certificado por escrito, em três vias, a ser autenticado por três assinaturas, de que sua vida havia mudado intensamente naquele ano. A tranquilidade e a paz do interior já não pertenciam à sua agenda (nem uma vez ao mês). Seu lar havia se mudado para a rua abaixo, trazendo-lhe o conforto exclusivo da sua própria companhia. A inserção de uma disciplina de outra área de estudo a motivava, ao passo em que a graduação principal estava paulatinamente mais fatigada. Havia aprendido a importância de praticar atividades físicas; o yoga e a meditação eram as maiores ferramentas para o equilíbrio. O repertório musicalmente apreciado se ampliava e diferentes ritmos de dança constavam na lista de atividades de que gostava. Estava aprendendo a confiar, em si mesma e nos outros, e a valorizar a importância desta qualidade. Seu apreço pela análise de comportamentos ganhava força.
A rescisão impressa daquela etapa tratava-se do impulso de que necessitava, já há alguns meses, para renovar ou reformular por completo sua segunda metade da segunda década deste século. Nas palavras da cortês mentora, era esperado que ela aproveitasse este momento desagradável para encontrar e explorar algo de que gostasse mais. Impressionantemente, o acaso a ajudou na última semana; várias pessoas quiseram conhecê-la, outras a indicaram e depositaram nela fichas de grande valor de confiança.
Agora, como também em outras fases, o medo a paralisava e provocava intensos e breves momentos de afluência de fluidos no rosto. Além disso, estava perdendo a confiança na sua própria capacidade de realizar bem a tarefa que lhe fora confiada. Por ora, era fundamental mergulhar e focar em cada capítulo do estudo separadamente. No final, encontraria uma forma de apresentar os resultados consonante a uma estética agradável e de fácil entendimento. Além disso, acreditava que seria capaz de explicar o que aprender e ganhar a confiança de quem a ajudava neste momento.
Acredita em ti.
A rescisão impressa daquela etapa tratava-se do impulso de que necessitava, já há alguns meses, para renovar ou reformular por completo sua segunda metade da segunda década deste século. Nas palavras da cortês mentora, era esperado que ela aproveitasse este momento desagradável para encontrar e explorar algo de que gostasse mais. Impressionantemente, o acaso a ajudou na última semana; várias pessoas quiseram conhecê-la, outras a indicaram e depositaram nela fichas de grande valor de confiança.
Agora, como também em outras fases, o medo a paralisava e provocava intensos e breves momentos de afluência de fluidos no rosto. Além disso, estava perdendo a confiança na sua própria capacidade de realizar bem a tarefa que lhe fora confiada. Por ora, era fundamental mergulhar e focar em cada capítulo do estudo separadamente. No final, encontraria uma forma de apresentar os resultados consonante a uma estética agradável e de fácil entendimento. Além disso, acreditava que seria capaz de explicar o que aprender e ganhar a confiança de quem a ajudava neste momento.
Acredita em ti.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
A melhor pizza de morango com chocolate
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| Cena de "O Fabuloso Mistério de Amelie Poulan" |
Acho que não sabemos ao certo como isso começou. Quando algo realmente é especial, é
que percebemos a dificuldade de descrever e transmitir a sensação de um
momento para outrem. Ademais, é gostoso guardar aquilo o que é precioso
junto de mim, em vez de espalhá-lo aos sete ventos. Aliás, de onde é que vem
esta expressão? No momento, consigo pensar em oito pontos cardeais, oito ventos, portanto.
Conversamos. Às vezes, o assunto escapava e ambos
faziam o possível para resgatá-lo ou criar outro. Comemos. Contive meu sorriso
ao ver que você estava, controlada e pacientemente, esperando eu terminar meu
pedaço de rúcula com tomate seco para comer a deliciosa sobremesa de morango
com chocolate comigo. Você se lambuzou, derrubou um pouco de chocolate, sujou
as mãos enquanto eu não havia, até então, encontrado dificuldade para comer o
meu pedaço. Estava terminando quando você elogiou esse comportamento, balançando meu equilíbrio
para comer aquele pedaço de pizza com as mãos. Era como se quisesse que eu me
sujasse um pouco, assim você não seria o único. E não é que funcionou? Pouco
tempo depois, perdi o controle de uma mordida e comecei a rir. Você observava
meticulosamente “foi meu olhar gordo”, enquanto eu ria e continuava tentando
dar umas mordidas. Lambuzei-me um bocado: as mãos ficaram sujas; os lábios,
grudentos, e uma gotinha de chocolate caiu na minha calça jeans clara.
Imediatamente, pensei tão alto que quase pronunciei o que passava pela minha
mente “Mais tarde, vou gostar dessa manchinha. Quando for limpá-la, vou lembrar
desse momento tão engraçado e dessa pizza tão boa”
Tratava-se de uma pizza de morango com chocolate
deliciosa, a melhor que já comi. É verdade, caro leitor, que não sei se já
havia me dado a oportunidade de saborear uma sobremesa como essa antes.
Você quis ir embora daquele lugar. É verdade que já
tínhamos encerrado o propósito de ir até lá, então não me opus. Ao chegar à
porta, deparamo-nos com uma chuva e trocamos algumas palavras a respeito do que
fazer. Claramente, você não queria voltar para dentro. Havia uma marquise na
saída, então dava para esperar ali, até que chuva diminuísse.
Internamente, agradeci a presença daquele tempo ruim para caminhar, já que nos faria ficar mais um
tempinho juntos, sem alguma comida como distração. Ocorre que ter conversado,
sujado as mãos e encontrado pontos de vista em comum lá dentro me tornou mais à
vontade para estar com você. Enquanto me abraçava, estava 100% ali, sendo feliz
com tranquilidade, sem medos.
Houve um momento em que lembrei de uma música a que
se encaixava muito bem ao que se passava; novamente, o pensamento soou bastante
alto em minha cabeça. Eu tinha uma trilha sonora para aquela cena em momento
real e quase não consegui escutar o que você falava. Novamente, encontrei
alguma desculpa para sorrir, rir e aliviar o foco do pensamento e não pronunciá-lo, no caso, a música
que dominava minha mente. Já pensou se eu começasse a cantar?
Não recebi críticas de maneira alguma, nem
comentários desagradáveis ao meu jeito de ser. Pelo contrário, comentamos sobre
como era inesperadamente bacana e acima das expectativas conhecer alguém assim.
Foi uma das poucas vezes que senti que ambas as partes estavam realmente
felizes, contentes, verdadeiramente querendo estar ali.
Continuamos nossa caminhada, paramos algumas vezes,
sob a desculpa de que a chuva estava mais forte. Guardei minhas mãos em seu
moletom e você descansou o seu queixo em meu nariz.
Sei, apenas, que desejo ter calma e ser feliz; este
foi o maior aprendizado dos meus últimos meses, e também o que tem se tornado a
grande meta na minha rotina. Esta sensação inclui a tal eudaimonia, da qual
falo há uns bons seis anos. Ainda falta bastante para poder dizer que minha
vida é eudaimônica; na verdade, sinto que estou traçando o caminho e me
moldando para ser capaz de conquistá-la quando estiver pronta.
O poder das palavras
“Ora, essa paixão pessoal de entrega, de total devotamento a uma tarefa, a uma missão é o que faz das letras verdadeiras um holocausto e não uma vaidade. Raramente ou mesmo nunca inteiramente puras, sem dúvida. Mas que, mesmo impuras, pelos temas ou pela visão mundana, guardam em si, pelo toque de beleza autêntica que contenham, uma pureza invisível, como expressão consciente e como reflexo inconsciente de uma Fonte, que transcende todas as fontes terrenas” (Tristão de Athayde, sobre Ferreira Gullar)
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Decidi ser feliz.
Simples assim ou não tão simples, há momentos em que algo na vida nos força a tomar a decisão de mudar o rumo de nossos pensamentos e atitudes. Não importa a grandeza da gota d'água, mas a intensidade pela qual é apreendida. Passei por alguns enormes sustos nesse ano - imagino quais potencialmente são os próximos de 2015 e temo bastante caso o padrão atual seja mantido -, principalmente nas últimas semanas, que me fizeram pensar em consequências a longo e, também, curto prazo.
Aliás, esse último período foi tão movimentado que parece que muito mais tempo se passou. Sinto como se nem meu inconsciente fosse capaz de se lembrar de tudo; muito menos eu me recordo, nem meus amigos próximos.
Simplificando o que aconteceu, algo me fez olhar para as pessoas que trabalham comigo e têm 10 a 20 anos a mais do que eu. Observei-os e pensei como seria a minha vida se eu tivesse o que eles têm na fase da vida deles (como altíssimas responsabilidades nos negócios e filhos a caminho). Com certeza, eles eram senhores das responsabilidades que eu também tenho hoje. Possivelmente, eles sentem mais paz com relação a isso, mas por quê? Por que eu não poderia ser assim? Se fosse direcionada a continuar minha vida como é hoje, até quando estaria revoltada? Até quando eu procuraria a felicidade sendo absolutamente cética de que poderia ser feliz profissional e academicamente hoje? E se eu jazesse? E se eu tivesse 15 anos a mais? E se eu fosse mais confiante? E se eu construísse a felicidade à minha maneira todos os dias? E se eu acreditasse que minha vida como estava era eudaimônica em potencial? E se realmente fosse assim?
Ademais, forcei-me a abandonar mais alguns rótulos e a procurar desvendar e analisar a história pessoal de todos os que conheço. Fazia isso sempre que pensava em criticar algum comportamento alheio (de maneira positiva ou negativa), mas agora tronei tal análise uma regra para todos com que converso. É por demais interessante e nos ajuda a não necessitar do uso de preconceitos.
Preciso escrever mais sobre esta tal decisão feliz. É uma atitude de abandonar, ao menos em pensamento, tudo aquilo que é prejudicial ao bem estar.
Aparte, a parte boa é que realmente estou mais leve, satisfeita, livre, feliz e menos ansiosa.
A partir do momento em que outorguei ser feliz e aceitar as circunstâncias e condições da minha vida, assumi o comportamento de procurar os aspectos bons, que rendem histórias bacanas para serem contadas e de que, de alguma maneira, posso ter orgulho de executar cotidianamente.
Penso que, até então, meu costume era o da revolta pela revolta (não consigo lembrar ao certo agora, porém existe um nome bonito para isso). Simplificadamente, não me orgulhava de nada, sentia-me angustiada com facilidade e queria uma pausa para tudo o mais cedo possível: estava por um fio. Ocorre que a melhor pausa foi um rompimento de fato com aquele comportamento desfavorável. Pausei a angústia e me abri ao contentamento frequente.
Aliás, esse último período foi tão movimentado que parece que muito mais tempo se passou. Sinto como se nem meu inconsciente fosse capaz de se lembrar de tudo; muito menos eu me recordo, nem meus amigos próximos.
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| Créditos |
Ademais, forcei-me a abandonar mais alguns rótulos e a procurar desvendar e analisar a história pessoal de todos os que conheço. Fazia isso sempre que pensava em criticar algum comportamento alheio (de maneira positiva ou negativa), mas agora tronei tal análise uma regra para todos com que converso. É por demais interessante e nos ajuda a não necessitar do uso de preconceitos.
Preciso escrever mais sobre esta tal decisão feliz. É uma atitude de abandonar, ao menos em pensamento, tudo aquilo que é prejudicial ao bem estar.
Aparte, a parte boa é que realmente estou mais leve, satisfeita, livre, feliz e menos ansiosa.
A Decisão
Penso que, até então, meu costume era o da revolta pela revolta (não consigo lembrar ao certo agora, porém existe um nome bonito para isso). Simplificadamente, não me orgulhava de nada, sentia-me angustiada com facilidade e queria uma pausa para tudo o mais cedo possível: estava por um fio. Ocorre que a melhor pausa foi um rompimento de fato com aquele comportamento desfavorável. Pausei a angústia e me abri ao contentamento frequente.
domingo, 14 de junho de 2015
Chô, sensibilidade!
Não sei por que venho me sentindo muito sensível
ultimamente. É como se vivesse uma constante tensão pré-menstrual, mas também como se estivesse
prestes a transbordar um copo acumulado de feridas. Tudo se aglutinou e
desejava várias renovações. Infelizmente, quanto mais as desejava, mais se
fixava ao que trazia descontentamento e mais a sensibilizava e entristecia.
domingo, 17 de maio de 2015
Nada é. Tudo está.
Faz tempo
que não escrevo, mas sinto que este seria um recurso honesto em prol de me
manter em equilíbrio na semana seguinte.
O medo de,
cada vez mais, prender-se a uma prática de missão não satisfatória e não eudaimônica vinha se tornando maior. Aliado a isso sabia que, quanto mais temesse,
pior ficava; fosse porque sentir medo torna a própria sensação de medo mais intensa e, por consequência, pior; ou porque
seu próprio pensamento a atrasava e atuava como uma barreira para as mudanças
boas acontecerem. Especialmente no que concerne ao segundo mecanismo de piora, sabia que era necessário desapegar.
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| Do grafiteiro Banksy |
Então quando o objeto de um apego muda seu estado simplesmente porque ele é submetido a circunstâncias de mudança ou porque ele é um ser vivo com o poder de querer se modificar, ocorre uma decepção enorme. Além disso, quanto mais o apego acontece, sinto que mais há dificuldade para os movimentos fluírem.
É bastante
comum perceber que, quando “desistimos” de algo, aquilo começa a funcionar ou se torna verdade.
Penso que isso acontece porque o desapego permite que as circunstâncias
se disponham bem.
Hoje estou
sem internet, não pude colocar uma tarefa em dia, estou incapaz de ouvir
músicas diferentes e que me acalmem ou anestesiem; também não consegui passear com
alguém. Passei o dia com poucos recursos e com o excesso da minha própria
companhia. Espero que não me aborreça e prossiga a semana como se tivesse tido
o melhor dos finais de semana. O que é que faz a diferença?
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