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| Retirada daqui |
Uma coisa é certa: a escrita deste post seguiu sua lógica para com a leitura de muitos livros, filmes e músicas, aquela que não a deixava acabar um livro nunca, ou que a fazia desistir quando faltavam 45 minutos de filme (o último havia sido "Blue Valentine"). Aquela lógica a levava à digressão impaciente, a uma cachoeira de palavras que estavam com saudades das cataratas e a perturbavam com aquele som gostoso. Cada começo de pensamento possuía um som ágil, claro e calmo que a fazia tornar, retornar, mudar ao raciocínio dos outros, daquele excesso devido a uma parte que estava adormecida há algum tempo. É válido lembrar que o texto foi deixado à própria sorte sorte e desordem antes de conhecer alguma organização. Escrevia, lia outra coisa, outra música, outra foto, outra comida. Sentia-se bem à companhia do teclado e cama macios.
Quando a ausência é a falta, é um sentimento...
Quando a ausência é a falta: é um sentimento
Quando a ausência é simplesmente falta, apreendida como um sentimento
Quando a ausência é um sentimento de falta.
Deixemos as divagações à parte, a doce ambiguidade gramatical, desta vez, literalmente, tornava a visitá-la através daquela: a função de advérbio estava deslocada, então uma vírgula a separaria do sentimento. Dava início a um texto outro que ainda explicaria o porquê da falta ser um sentimento. E aquele gostinho amargo de vírgula entre o predicado e o tal sujeito não ocorreria.
Poderia ser, também, que a frase já tivesse findo, e que a ausência como falta compusesse um sentimento, ponto; definido intransitivamente.
Ela não compreenderia isto mais tarde.
Você não espera que sua vida siga o roteiro de um filme, porém os assiste. Não tem expectativa de um romance perfeito e sincronizado, mas adora assistir a uma comédia romântica. Sabe que aquela combinação romântica largamente vendida pela indústria cultural não transcende, é uma receita para vender e prender nossos sorrisos e olhos na maioria das vezes. E, assim, aqueles filmes artísticos vão sendo dispensados.
Você acha que a violência pesada dos filmes, às vezes picaresca, é apenas uma narrativa catalisada por testosterona, mas fecha os olhos a cenas de violência no seu dia a dia e se nega a acreditar que a violência é pior na realidade. Contudo, você costuma rir; é como se, de alguma maneira, grafasse o desenho do que estava se passando.
Apreciamos a ilusão e as receitas prontas. Não é à toa que nem todas as pessoas não gostam da gastronomia experimental.
Que saudade, este teclado realmente é macio e sente minha falta à noite. Tanto precisava de ser retirado, descrito, descomplicado; um mês havia passado a cada dia, no entanto, as palavras haviam caído no ostracismo. Finalmente, hoje se achava no conforto do isolamento de suas cortinas com um pouco de paz.
A imaginação a fazia valorizar aquele momento mais do que nunca, com suas roupas confortáveis e as meias na metade do pé. Havia um machucado, que infelizmente ainda não era uma bolha, o qual fazia seu pé doer por inteiro. O pensamento centrado na razão, porém, pensava em bons momentos, boas risadas, em detrimento da pele de seus pés.
Não era tão boba: estava tentando amaciar os sapatos naquele dia em que não se importaria de fazê-lo, então percorria as consequências - que poderiam levar ao abandono dos sapatos - hoje. As quase bolhas a lembravam daquela noite e deveriam fazê-la reforçar as lembranças e o valor de encontros fraternos.

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