As férias escolares foram uma mostra de como poderá ser o próximo ano, 2018. A consciência plena de que ela poderá não estudar - e apenas trabalhar -, em um futuro próximo, fez com que ela analisasse as atividades recorrentes e o seu próprio comportamento no cotidiano.
Ademais, sentiu que deveria agir com mais confiança perante a vida profissional. E então, com muita frequência, começaram a perguntar o que ela havia estudado na faculdade. Preste atenção ao tempo verbal: o que ela estudou e não o que ela estuda. Esta mudança era consequente (ou subsequente) à sua atenção aos detalhes. Por antecipação, começou a pesquisar potenciais oportunidades profissionais e a imaginar as ofertas que aguardam a chegada do seu diploma.
E também se perguntou - muitas vezes - se a sua rotina em 2017 estará mais próxima dos seus planos para o futuro. Será que vai haver disposição e determinação para ir além do mandatório e mínimo necessário? Será que vai ter força para mudar o rumo do seu barco frente a um mar nunca antes navegado? Será que estará mais perto de abandonar a cidade cinza?
Ainda faltam nove meses para esta jornada se encerrar. E nove dolorosas parcelas da sua festa de formatura. No entanto, a sensação de que é necessário fazer tudo da maneira correta, sem margem para erros, é pungente. Como a moça está vivendo cada momento com o máximo de intensidade permitida, realiza análises constantes sobre o propósito das suas ações. Além disso, parece que as análises se estendem ao comportamento de familiares e pessoas queridas.
Será que essa pessoa gosta de mim?
Como resultado das frequentes reflexões, buscou entender as motivações dos outros para vê-la. Seus pais vieram à sua cidade por cerca de uma semana, mas a viram apenas um dia. Não quiseram conhecer a sua casa. Encontros com amizades antigas não foram bem sucedidos. E não foram reconstruídos.
Pode ter sido um conjunto de tentativas mal sucedidas. Uma série de desencontros. Uma série de problemas inesperados, episódios de desânimo, ou depressão típica da Modernidade líquida. Ou. Pode ter sido falta de interesse. Indiferença.




