Mudanças. Separou e guardou tudo à maneira que lhe parecia mais eficiente e adequada. As semanas anteriores poderiam ser sumarizadas a um processo de purificação, desapego e auto conhecimento. Desprendeu-se de inúmeras sacolas de objetos das fases de outrora, jogou vários papeis à lixeira e doou a maioria de seus brinquedos. Nos últimos dias de preparação para a casa nova, descobriu e assumiu-se como acumuladora - aquele perfil que não gosta de jogar fora uma simples anotação ou objeto porque pensa que aquilo pode ser útil algum dia, ou que aquilo teria alguma forma de valor. Passado este momento de conscientização e reflexão, decidiu que, ao invés de guardar aquilo o que poderia ser útil, tomaria como regra padrão jogar o objeto fora e, além disso, faria uma faxina consciente duas vezes ao ano.
Dia do caminhão. Cansou-se, porém ainda tinha um bocado de disposição, quando chegou na casa nova, a qual era alimentada pela perspectiva de dormir em um lar mais confortável. Quando se descobriu como acumuladora, percebeu, também, que não havia feito o planejamento devido para a mudança: ainda tinha muito mais objetos do que necessitava. Outrem poderia dizer que não se tratava de "planejamento" de fato, porém apreciava encarar a questão sob esta interpretação. Dessa forma, começou a pensar, ainda na hora do almoço com a família, em qual caixa abriria primeiro, por que motivo, e como isso influenciaria (dificultando ou facilitando) a abertura das outras caixas.
Para que tanto rodeio, mulher? Limparia o banheiro, colocaria os shampoos, colocaria os lençois e separia as roupas de alguma caixa. Se não conseguisse, poderia usar uma blusinha com calça de pano, já que esta ficava em uma gaveta com outras roupas do mesmo tecido. Se não conseguisse resgatar um jeans, não haveria problema e não faria diferença alguma. (Por que não costumava pensar assim sempre?)
Caixas. Olhou ao redor e questionou-se o motivo de ainda haver tantas caixas ao seu redor, visto que o necessário para ter uma noite confortável já havia sido desempacotado. Por que temos tantas coisas? Por que pensamos que precisamos de tanto?
Dificuldades que aproximam. Outro destaque do dia era o comportamento compreensivo e colaborador de todos os ex habitantes daquela mesma residência conturbada. Em um dia comum, todos seriam bastante individualistas, entretanto, nesse dia de mudanças (em sentido amplo), vimos pessoas inusitadas oferecerem auxílio e empatia.
Quanto é necessário para unir os membros de uma família?



