terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Let it be

À luz de um agradável e suave sol matinal - as cortinas para o palco de um dia deveras caloroso -, uma conversa a respeito preferencias temporais surgiu entre duas nobres almas.

- Ah, eu gosto de calor, nem que seja por que sou muito friorenta, me sinto mal no frio. De que tipo de tempo você gosta?
- Olha, eu sou a favor, apenas, de não reclamar.

Hoje, a moça gostaria que mais pessoas estivessem presentes para autenticar a veridicidade de tal conversa. A fala do moço seria a materialização verbal de um tapa na face das pessoas que têm o costume de anunciar aos sete ventos sua insatisfação climática. Ademais, o discurso dele destacava inclinações que ela também compartilhava.

Além do ato de reclamar sobre o tempo ser um catalisador da redução da paciência alheia, não é capaz de mudar a temperatura (ou o que nos é incômodo) no tempo em que vivemos. Também, ao falar sobre determinado assunto, sempre concedemos-lhe ênfase: sentimos, alegramo-nos e sofremos com maior intensidade. Portanto, caso fôssemos pessoas completamente racionais, deixaríamos de reclamar em prol de reduzir a força dos fatos desagradáveis.

A intenção do presente ato de escrita, contudo, era destacar que a frase dele sintetizava a maneira como gostaria de se comportar (ao menos) nos próximos dias. A procura e aceitação da paz interior pareciam-na ser catalisadas pela ausência de reclamações e maior aceitação dos problemas e contratempos que surgiam. Afinal, reclamações vulgares não mudam a configuração vigente.

Do fotógrafo Murad Osmann

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