domingo, 30 de novembro de 2014

Consigo

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Acordou atrasada à aula: não se importou. Tratou de vestir-se rapidamente e seguiu em direção à faculdade. Pouco após chegar ao ponto, um ônibus apareceu. Sábado. Sorte? As últimas semanas sempre trouxeram ônibus perdidos; tratava-se contudo, de uma circunstância diferente e nada a mais. Boas notícias esboçaram um sorriso em sua mente. Na caminhada da volta, observava as árvores livre da pressa do cotidiano: formava retratos mentais.

Por fim, chegara. Decidiu vestir seu short vinho. Era curtinho demais, mas não se importou. Tomou um banho e aplicou aquele hidratante favorito com cheiro de morangos, delicioso. Decidiu pôr sua meia calça de que mais gostava e descobriu que ela estava rasgada, mas não se abalou. Escolheu aquele sutiã confortável, mas  sensual. Ninguém saberia disso, aliás, ninguém a veria senão ela mesma. No máximo, um pedacinho da alça poderia aparecer à camiseta de ombros caídos,exalando aquela fragrância charmosa. Como se tornasse sua companhia mais agradável e suave, pensava que devia usar aquele hidratante mais vezes.

Uma gota de perfume e uma segunda conferida ao furo da meia-calça...O que mudava se dissesse aos outros que sua meia havia se rasgado depois que saíra de casa? Não importava...Gostava da meia, e isso bastava. Os horários não seriam os melhores, mas não se importava. Hoje era o dia dela para descansar.

Dobrou a esquina e sentiu uma brisa gelada. Que bom que carregava uma blusinha de lã junto às suas ferramentas de trabalho e instrumentos das trocas comerciais. Não a vestiu; ainda se sentia confortável. Rompeu com a rotina: não se deu ao trabalho de procurar o fone de ouvido, conectá-lo, abrir o aplicativo de músicas, reconstatar que este não estava funcionando e contar com a imprevisibilidade das rádios. Não era o horário da rotina, tampouco envolvia circunstâncias cotidianas, mas não arriscava. Apesar disso, também não recorreu ao conforto alienante: tampouco abriu o aplicativo de mensagens, que demoraria para carregar. Não precisava da aprovação de outrem, nem de sua falsa presença. Por ora, não se importava.
Hoje caminhava à paz da sua própria companhia.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Queria que fosse um pesadelo, mas não era. Desesperada e profundamente, desejava que qualquer solução mais fácil - que não envolvesse coragem individual, como a do suicídio - lha tirasse da sua conjuntura no momento. Inclusive, procurava toda e qualquer saída que pudesse comprovar que estava imaginando ou criando e se envolvendo a esse sentimento ultra intenso de erro e de insatisfação.
Concomitante a essa sensação por demais intensa, estava anestesiada. Por mais estranho que uma descrição cinematográfica seja, encaixava-se como uma luva desenhada à mão: enxergava tudo em câmera lenta. Não se incomodava com a universidade e a casa, pelo contrário, amava-as - ou a ideia que representavam -, mas sua presença se anulava à dor daquela sensação.
Como consequência, sentia-se a criatura mais carente do mundo: sob aquela visão embaçada, queria o abraço da primeira pessoa no transporte público que parecesse demonstrar um pouco de compaixão.

domingo, 28 de setembro de 2014

Desperta o seu interior mais calmo

Just a few quick requests. I demand you to accept, for once and for all, that you shall not try to change who you are - I mean, willing to look similar to those who surround you - in order to not call ones attention. The way you look (how you appear and how others think you must respond to a vary of situations) won't be as easily changed as you thought when you were younger.
Não tema todas as mudanças que você está percebendo, ou tudo aquilo inato que sente que resgata em sua personalidade no momento vigente. Respire fundo, compreendendo e aceitando pacientemente a ideia de que não se pode praticar tudo o que se gostaria em um só dia. Por favor, também pare de lutar com sua própria intuição e deixe de, sempre que possível, tentar sublimar suas pulsões.

Seus traços não poderiam ser deixados; permaneciam e transpareciam quanto mais crescia e tentava se lavar do passado.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O que é isso no seu tornozelo?

Isso é o produto de anos de aprisionamento, empoderamento e tentativa de apoteose do homem por meio do uso das máquinas.
Não, não é. É a prova de que sorte ou proteção não são termos de origem lendária em nosso dicionário.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O porquê

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Tanto havia acontecido, em termos de uma tal qualidade a qual leva à quantidade, que não sabia por onde começar. Sabia, apenas, que não queria correr o risco de esquecer o que havia ocorrido, mesmo que isso significasse escrever de maneira desconexa com a finalidade exclusiva de não deixar a poeira abaixar antes que o sal de prata marcasse esta porção do filme. O último dia havia sido um marco, um ponto de virada.

Após a claustrofobia do túnel, caminhava pesado. Os olhos teimavam em se embaçar. Labaredas queimavam, ardiam e traziam uma dor que dificultava o movimento: acalmava o passo. Traziam a lembrança de que nada é intocável - ou de que não estamos distantes de nada - quando estamos no plano certo. Imagine que tenhamos asas de pássaros, ou, ainda, que um pássaro seja a metáfora para o nosso comportamento. Se são várias penas, há vários caminhos e, também, escolhas. Depois da dor e do período do banho flamejante, viria o recomeço completamente novo, forte e pleno de vida. Tratava-se de um pássaro mitológico.
Não é muito típico da minha parte, não obstante, parecia que escrever uma lista de aprendizados - a ser aprimorada e refinada futuramente - funcionaria de maneira adequada.

  1. Meu anjo da guarda é dos grandes e um ser bem legal. Sou eternamente grata por tudo o que me protege, ou me acompanha; seja isso denominado Deus, anjo da guarda, ou amigo que se importa (o que me leva ao próximo ponto)
  2. Valorize o que te valoriza de maneira diretamente proporcional. Procure apenas as pessoas que se importam com você e priorize quem elas são enquanto amigas acima de tudo.
  3. Não perca seu tempo com quem não retribui a sua consideração e deixe claro o quanto você gosta dos seus amigos. Você não sabe quando vai embora; é importante que eles tenham conhecimento do que representam para você, mesmo que isso signifique "demonstrar fraqueza", ou coração mole
  4. Dê importância àquilo do qual você se orgulha. Isso deve ser importante afinal
  5. Tem gente que, enquanto atributo intangível, só tem a capacidade de te fazer mal
  6. Sua vida é importante, sim. Sempre há alguma coisa que se destaca; nem que sejam as amizades maravilhosas que merecem ser cultivadas
  7. Carpe diem. Tudo é efêmero
  8. A paixão talvez, realmente, seja uma coisa só da adolescência. Você não deve se sentir mal porque não fica empolgada com a sua rotina, seus relacionamentos, trabalho, ou estudos. Se você admira bastante aquilo, é possível que já goste muito e que isso seja o bastante
  9. Muito obrigada
  10. Faça as coisas com calma
  11. Respeite tudo nas leis de trânsito
  12. Coisas horríveis acontecem o tempo todo
  13. Mude o molde pelo qual você vê o mundo. Coisas boas acontecem todos os dias
  14. Respeite os detalhes que merecem
  15. Ande com calma
  16. Ajude quem precisa de ajuda
  17. Não deixe de amar os detalhes que lhe fazem diferença
  18. Nasça de novo sempre que possível

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Põe um sorriso nesse rosto

Ao caro leitor (e eu do futuro) que retorna a esta página conturbada, peço desculpas. Desde o começo, deve compreender que a motivação inicial deste espaço era justamente suportar, apoiar e digerir aquele prato de acelga mal cozinhado que são alguns momentos na vida da nossa barroca favorita. Sendo assim, asseguro que a não leitura deste post pode ser a escolha mais saudável no momento; ou não, afinal aquele segue uma ordem linear até o momento, porém e mim permanece a sensação de que não é agradável reviver um momento de angústia.
Havia, será, uma tensão tão grande em tudo o que figurava coisas nunca experienciadas? Como na época em que ingressou na escola mais pesada, sentia as mesmas dores de cabeça. Era outra escola, porém sem regras e caminhos traçados. O cansaço dominava seus ossos mesmo após uma longa noite de sono. Assim, o peso físico mutilava o desenvolvimento de seu raciocínio em geral. Tudo tornava-se difícil. Por sorte, já conhecia o caminho de praças anteriores: bons exercícios e controle do aperto dos dentes. 
Em síntese, tudo o que tinha o potencial de ser bom era igualmente perigoso

domingo, 27 de julho de 2014

Aquilo que a tornava ela

A woman walking at night
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(anotações desconexas.)

Apesar de estarmos submetidos a uma série de circunstâncias imprevisíveis, presentes, silenciosas ou inexistentes - em outras palavras, várias coisas sobre cujo funcionamento sabemos, quando muito, pouquíssimo a respeito -, havia algo intrínseco que fazia com que algumas peculiaridades se repetissem em diversas situações: sua própria presença.
Após vários anos pensando o oposto e atuais relatos de algumas pessoas que não a conheciam em profundidade, ela questionou e começou a aceitar a ideia de que era tímida. Tratava-se de uma hipótese bastante questionável, já que a atribuição vinha principalmente de pessoas que ainda não a conheciam bastante e com as quais ela se sentia insegura; sentia medo de não fazer alguma tarefa adequadamente, de ser substituída e de demonstrar quem realmente era (com direito a todas as estranhezas de sua personalidade); apesar disso, o que seria capaz de assegurar confiança e respeito entre estas pessoas era, justamente, a capacidade de ela ser - confiantemente - quem sua personalidade determinava.
Apesar de uma situação de risco, medo, ou insegurança tornar todos nós tímidos, será que era só isso? No caso, a moça era tímida, quieta e com o desejo de não se expressar apenas quando estava insegura?
Então, quando seu comportamento fosse orientado pelas barreiras sociais, fatos, moldes, ou, também, quando optasse por aquilo que era um hábito apenas porque estava acostumada com as consequências - o que representava menor risco, imprevisibilidade e medo -, talvez ela fosse capaz de modificá-lo, simplesmente, modificando sua percepção de risco. Não só o comportamento de fato mudaria, mas também sua percepção sobre o momento, seu envolvimento e suas emoções.
Mesmo que ela fosse formada por traços cujas origens sua ordinária existência não seria capaz de compreender, apreciava a ideia de que poderia romper com algumas características, momentaneamente. Talvez, então, abandonasse alguns formatos em troca de outros. Quem sabe, ainda, já que o comportamento seria uma tentativa de fugir daquilo que era intrínseco, ela conseguisse uma maior liberdade de escolha ao se afastar dos moldes de seus traços de personalidade: fugindo aos únicos moldes verdadeiros.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Em meio à minha tentativa de fugir à realidade, meus pensamentos viajaram longe. Infelizmente, a viagem não foi completa e trouxe apenas angústia: se eu sou plenamente capaz de escolher, ainda não sou capaz de saber o que tem o potencial de dar certo, ou me tornar mais feliz. Sinto-me incomensuravelmente angustiada e confusa. Não quero estudar aquilo; quero e necessito do diploma, e também de minha independência. Minhas entranhas gritam, clamam, bradam por outra coisa. Procuro alguém em quem me apoiar. Sob a influência de outro o qual é fortemente solicitado por minha estrutura, o pensamento divaga e pensa no que aconteceu e o que poderá vir. Não sabia explicar, mas a sensação de bem estar era extravagante: tão intensa que tinha o potencial de destruí-la;em potencial, já a destruira. Afinal, gostava das coisas que apresentavam riscos intensos?
Vamos lá! Este trabalho é legal, trata de pessoas e é extremamente necessário para que você atinja alguns de seus objetivos e atenda a parte de algumas estratégias.

Pensamento voou tão longe! Talvez seja viável afinal, mas, por favor, volte ao trabalho

sábado, 7 de junho de 2014

Sobre aquilo que não deu "certo"

Ela mentira: de algum modo, doia. Doia porque, novamente, a ansiedade a havia dominado; doia porque gostaria de ter sido mais livre, desprendida e porque, essencialmente, enxergava tudo como culpa sua. Enquanto não nos conhecemos bem, não há como apreender uma pessoa, senão por suas características mais simples e por todos os indícios que elas nos dão. Apreciou e não quis deixá-lo; assim, tornou-se chata: tinha medo de assumir um perfil que trouxesse vários assuntos à tona, imaginando que eles revelariam o interesse dela. Desta forma, optou pelas histórias repetidas e que já haviam "dado certo", como se houvesse uma fórmula para qualquer tipo de relação.
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Ah, que erro! Que engano este o de pensar que existe o certo ou o errado naquilo que envolve as humanidades, os raciocínios e as emoções. Tornou-se, mas também era chata. A preocupação com o próximo sempre havia sido o que mais lha importava, porém a havia menosprezado aqui; com muita vergonha de assumir (contudo), podia dizer que enxergava, lá, uma espécie de auto-propaganda sob os slogans "consuma-me", "sou legal, assemelho-me a você".

Diga-me, amigo(a), quem nunca passou por uma situação semelhante. Quem nunca se modificou, justamente, porque se interessou por alguém/algo e estragou a oportunidade por deixar de ser quem mais verdadeiramente era antes? Quem nunca foi capacho, por um tempo curto, ou foi enganado até perceber que o bem estar e a auto estima eram mais importantes?

Querido amigo(a), se há algo que a vida gosta de nos relembrar é que não somos donos do controle remoto. Isto acontece desde o momento em que percebemos que, vivendo em família, ele também está submetido a ao menos mais uma pessoa, a qual certamente escolherá uma programação que não lhe agrada algum dia, mas também a momentos mais amplos, nos quais criamos um controle imaginário, iludimo-nos e - por fim, ou casualmente - caímos em nossa própria consciência e percebemos que nunca, nunca, nunca houvemos controle. Tudo depende de outrem direta, ou indiretamente, e a graça é esta.

De maneira não desencadeada a este raciocínio, deixo também o questionamento e constatação sobre a fragmentação no mundo contemporâneo. Enquanto sentia-se capaz - ou sentia que podia postergar a incorporação de mais responsabilidades - de fragmentar pessoas e sentimentos, bebia-os com diferentes pessoas, experienciava cada questão fundamental e cada brinde com quem lhe parecesse mais seguro; também, revelava cada face sua a quem lha aparentasse semelhança. Simulava o desencontro com uma perfeição em cuja existência nunca havia acreditado e temia o amor por completo.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sentir-se perdida e sem saber do que gostava, o que queria, aonde gostaria de chegar era natural à nossa idade. Não podia, apenas, deixar que isto superpusesse as emoções e os prazeres do cotidiano.