domingo, 14 de junho de 2015

Chô, sensibilidade!
Não sei por que venho me sentindo muito sensível ultimamente. É como se vivesse uma constante tensão pré-menstrual, mas também como se estivesse prestes a transbordar um copo acumulado de feridas. Tudo se aglutinou e desejava várias renovações. Infelizmente, quanto mais as desejava, mais se fixava ao que trazia descontentamento e mais a sensibilizava e entristecia. 

domingo, 17 de maio de 2015

Nada é. Tudo está.

Faz tempo que não escrevo, mas sinto que este seria um recurso honesto em prol de me manter em equilíbrio na semana seguinte.

O medo de, cada vez mais, prender-se a uma prática de missão não satisfatória e não eudaimônica vinha se tornando maior. Aliado a isso sabia que, quanto mais temesse, pior ficava; fosse porque sentir medo torna a própria sensação de medo mais intensa e, por consequência, pior; ou porque seu próprio pensamento a atrasava e atuava como uma barreira para as mudanças boas acontecerem. Especialmente no que concerne ao segundo mecanismo de piora, sabia que era necessário desapegar. 

Do grafiteiro Banksy
Há pouco tempo, havia entrado em contato com a ideia de desapego como uma percepção sobre a vida. Quando se diz que alguma coisa nos pertence ou é de determinada maneira, criamos mecanismos que geram segurança e confiança com relação ao estado das coisas. Assim, dizemos frases como “minha casa é bonita”, “Fulano é meu amigo”, e por aí continua... e nos sentimos bem! Como consequência, apegamo-nos ao nosso lar que está bonito e ao Fulano que está nosso amigo (por exemplo).

Então quando o objeto de um apego muda seu estado simplesmente porque ele é submetido a circunstâncias de mudança ou porque ele é um ser vivo com o poder de querer se modificar, ocorre uma decepção enorme. Além disso, quanto mais o apego acontece, sinto que mais há dificuldade para os movimentos fluírem.

É bastante comum perceber que, quando “desistimos” de algo, aquilo começa a funcionar ou se torna verdade. Penso que isso acontece porque o desapego permite que as circunstâncias se disponham bem.
Hoje estou sem internet, não pude colocar uma tarefa em dia, estou incapaz de ouvir músicas diferentes e que me acalmem ou anestesiem; também não consegui passear com alguém. Passei o dia com poucos recursos e com o excesso da minha própria companhia. Espero que não me aborreça e prossiga a semana como se tivesse tido o melhor dos finais de semana. O que é que faz a diferença?

domingo, 19 de abril de 2015

Novos tempos

Não sabia por onde começar, mas sentia que aquela fase já havia adoecido e estava lhe deixando uma tremenda inflamação como sequela. Talvez não houvesse mais o que fazer para curar aquela etapa, apenas assumir que ela havia chegado a um fim saudável, no qual cada um segue o seu caminho com tranquilidade.

Infelizmente, não era assim que pensava. Cada vez mais, pensava que ela mesma era culpada por todos os atritos, e queria apagar as brigas passadas. Tinha dúvida: quando assumia que era hora de procurar outro começo, uma pergunta continuava latejando em sua cabeça: até que ponto ele havia se magoado? O que realmente sentia? Por que gostava de continuar conversando com ela? Mas por que gostava de ignorá-la?

Era tempo de desapegar e mergulhar em novos começos. Talvez, devesse ter abraçado os tempos de briga. Com certeza, era a época mais fácil para criar aversão e se distanciar realmente.

Créditos

domingo, 29 de março de 2015

Sensações

Mudanças. Separou e guardou tudo à maneira que lhe parecia mais eficiente e adequada. As semanas  anteriores poderiam ser sumarizadas a um processo de purificação, desapego e auto conhecimento. Desprendeu-se de inúmeras sacolas de objetos das fases de outrora, jogou vários papeis à lixeira e doou a maioria de seus brinquedos. Nos últimos dias de preparação para a casa nova, descobriu e assumiu-se como acumuladora - aquele perfil que não gosta de jogar fora uma simples anotação ou objeto porque pensa que aquilo pode ser útil algum dia, ou que aquilo teria alguma forma de valor. Passado este momento de conscientização e reflexão, decidiu que, ao invés de guardar aquilo o que poderia ser útil, tomaria como regra padrão jogar o objeto fora  e, além disso, faria uma faxina consciente duas vezes ao ano.
Dia do caminhão. Cansou-se, porém ainda tinha um bocado de disposição, quando chegou na casa nova, a qual era alimentada pela perspectiva de dormir em um lar mais confortável. Quando se descobriu como acumuladora, percebeu, também, que não havia feito o planejamento devido para a mudança: ainda tinha muito mais objetos do que necessitava. Outrem poderia dizer que não se tratava de "planejamento" de fato, porém apreciava encarar a questão sob esta interpretação. Dessa forma, começou a pensar, ainda na hora do almoço com a família, em qual caixa abriria primeiro, por que motivo, e como isso influenciaria (dificultando ou facilitando) a abertura das outras caixas.
Para que tanto rodeio, mulher? Limparia o banheiro, colocaria os shampoos, colocaria os lençois e separia as roupas de alguma caixa. Se não conseguisse, poderia usar uma blusinha com calça de pano, já que esta ficava em uma gaveta com outras roupas do mesmo tecido. Se não conseguisse resgatar um jeans, não haveria problema e não faria diferença alguma. (Por que não costumava pensar assim sempre?)
Caixas. Olhou ao redor e questionou-se o motivo de ainda haver tantas caixas ao seu redor, visto que o necessário para ter uma noite confortável já havia sido desempacotado. Por que temos tantas coisas? Por que pensamos que precisamos de tanto? 
Dificuldades que aproximam. Outro destaque do dia era o comportamento compreensivo e colaborador de todos os ex habitantes daquela mesma residência conturbada. Em um dia comum, todos seriam bastante individualistas, entretanto, nesse dia de mudanças (em sentido amplo), vimos pessoas inusitadas oferecerem auxílio e empatia. 

Quanto é necessário para unir os membros de uma família?

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Let it be

À luz de um agradável e suave sol matinal - as cortinas para o palco de um dia deveras caloroso -, uma conversa a respeito preferencias temporais surgiu entre duas nobres almas.

- Ah, eu gosto de calor, nem que seja por que sou muito friorenta, me sinto mal no frio. De que tipo de tempo você gosta?
- Olha, eu sou a favor, apenas, de não reclamar.

Hoje, a moça gostaria que mais pessoas estivessem presentes para autenticar a veridicidade de tal conversa. A fala do moço seria a materialização verbal de um tapa na face das pessoas que têm o costume de anunciar aos sete ventos sua insatisfação climática. Ademais, o discurso dele destacava inclinações que ela também compartilhava.

Além do ato de reclamar sobre o tempo ser um catalisador da redução da paciência alheia, não é capaz de mudar a temperatura (ou o que nos é incômodo) no tempo em que vivemos. Também, ao falar sobre determinado assunto, sempre concedemos-lhe ênfase: sentimos, alegramo-nos e sofremos com maior intensidade. Portanto, caso fôssemos pessoas completamente racionais, deixaríamos de reclamar em prol de reduzir a força dos fatos desagradáveis.

A intenção do presente ato de escrita, contudo, era destacar que a frase dele sintetizava a maneira como gostaria de se comportar (ao menos) nos próximos dias. A procura e aceitação da paz interior pareciam-na ser catalisadas pela ausência de reclamações e maior aceitação dos problemas e contratempos que surgiam. Afinal, reclamações vulgares não mudam a configuração vigente.

Do fotógrafo Murad Osmann

domingo, 30 de novembro de 2014

Consigo

Créditos da imagem
Acordou atrasada à aula: não se importou. Tratou de vestir-se rapidamente e seguiu em direção à faculdade. Pouco após chegar ao ponto, um ônibus apareceu. Sábado. Sorte? As últimas semanas sempre trouxeram ônibus perdidos; tratava-se contudo, de uma circunstância diferente e nada a mais. Boas notícias esboçaram um sorriso em sua mente. Na caminhada da volta, observava as árvores livre da pressa do cotidiano: formava retratos mentais.

Por fim, chegara. Decidiu vestir seu short vinho. Era curtinho demais, mas não se importou. Tomou um banho e aplicou aquele hidratante favorito com cheiro de morangos, delicioso. Decidiu pôr sua meia calça de que mais gostava e descobriu que ela estava rasgada, mas não se abalou. Escolheu aquele sutiã confortável, mas  sensual. Ninguém saberia disso, aliás, ninguém a veria senão ela mesma. No máximo, um pedacinho da alça poderia aparecer à camiseta de ombros caídos,exalando aquela fragrância charmosa. Como se tornasse sua companhia mais agradável e suave, pensava que devia usar aquele hidratante mais vezes.

Uma gota de perfume e uma segunda conferida ao furo da meia-calça...O que mudava se dissesse aos outros que sua meia havia se rasgado depois que saíra de casa? Não importava...Gostava da meia, e isso bastava. Os horários não seriam os melhores, mas não se importava. Hoje era o dia dela para descansar.

Dobrou a esquina e sentiu uma brisa gelada. Que bom que carregava uma blusinha de lã junto às suas ferramentas de trabalho e instrumentos das trocas comerciais. Não a vestiu; ainda se sentia confortável. Rompeu com a rotina: não se deu ao trabalho de procurar o fone de ouvido, conectá-lo, abrir o aplicativo de músicas, reconstatar que este não estava funcionando e contar com a imprevisibilidade das rádios. Não era o horário da rotina, tampouco envolvia circunstâncias cotidianas, mas não arriscava. Apesar disso, também não recorreu ao conforto alienante: tampouco abriu o aplicativo de mensagens, que demoraria para carregar. Não precisava da aprovação de outrem, nem de sua falsa presença. Por ora, não se importava.
Hoje caminhava à paz da sua própria companhia.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Queria que fosse um pesadelo, mas não era. Desesperada e profundamente, desejava que qualquer solução mais fácil - que não envolvesse coragem individual, como a do suicídio - lha tirasse da sua conjuntura no momento. Inclusive, procurava toda e qualquer saída que pudesse comprovar que estava imaginando ou criando e se envolvendo a esse sentimento ultra intenso de erro e de insatisfação.
Concomitante a essa sensação por demais intensa, estava anestesiada. Por mais estranho que uma descrição cinematográfica seja, encaixava-se como uma luva desenhada à mão: enxergava tudo em câmera lenta. Não se incomodava com a universidade e a casa, pelo contrário, amava-as - ou a ideia que representavam -, mas sua presença se anulava à dor daquela sensação.
Como consequência, sentia-se a criatura mais carente do mundo: sob aquela visão embaçada, queria o abraço da primeira pessoa no transporte público que parecesse demonstrar um pouco de compaixão.

domingo, 28 de setembro de 2014

Desperta o seu interior mais calmo

Just a few quick requests. I demand you to accept, for once and for all, that you shall not try to change who you are - I mean, willing to look similar to those who surround you - in order to not call ones attention. The way you look (how you appear and how others think you must respond to a vary of situations) won't be as easily changed as you thought when you were younger.
Não tema todas as mudanças que você está percebendo, ou tudo aquilo inato que sente que resgata em sua personalidade no momento vigente. Respire fundo, compreendendo e aceitando pacientemente a ideia de que não se pode praticar tudo o que se gostaria em um só dia. Por favor, também pare de lutar com sua própria intuição e deixe de, sempre que possível, tentar sublimar suas pulsões.

Seus traços não poderiam ser deixados; permaneciam e transpareciam quanto mais crescia e tentava se lavar do passado.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O que é isso no seu tornozelo?

Isso é o produto de anos de aprisionamento, empoderamento e tentativa de apoteose do homem por meio do uso das máquinas.
Não, não é. É a prova de que sorte ou proteção não são termos de origem lendária em nosso dicionário.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O porquê

Créditos da imagem
Tanto havia acontecido, em termos de uma tal qualidade a qual leva à quantidade, que não sabia por onde começar. Sabia, apenas, que não queria correr o risco de esquecer o que havia ocorrido, mesmo que isso significasse escrever de maneira desconexa com a finalidade exclusiva de não deixar a poeira abaixar antes que o sal de prata marcasse esta porção do filme. O último dia havia sido um marco, um ponto de virada.

Após a claustrofobia do túnel, caminhava pesado. Os olhos teimavam em se embaçar. Labaredas queimavam, ardiam e traziam uma dor que dificultava o movimento: acalmava o passo. Traziam a lembrança de que nada é intocável - ou de que não estamos distantes de nada - quando estamos no plano certo. Imagine que tenhamos asas de pássaros, ou, ainda, que um pássaro seja a metáfora para o nosso comportamento. Se são várias penas, há vários caminhos e, também, escolhas. Depois da dor e do período do banho flamejante, viria o recomeço completamente novo, forte e pleno de vida. Tratava-se de um pássaro mitológico.
Não é muito típico da minha parte, não obstante, parecia que escrever uma lista de aprendizados - a ser aprimorada e refinada futuramente - funcionaria de maneira adequada.

  1. Meu anjo da guarda é dos grandes e um ser bem legal. Sou eternamente grata por tudo o que me protege, ou me acompanha; seja isso denominado Deus, anjo da guarda, ou amigo que se importa (o que me leva ao próximo ponto)
  2. Valorize o que te valoriza de maneira diretamente proporcional. Procure apenas as pessoas que se importam com você e priorize quem elas são enquanto amigas acima de tudo.
  3. Não perca seu tempo com quem não retribui a sua consideração e deixe claro o quanto você gosta dos seus amigos. Você não sabe quando vai embora; é importante que eles tenham conhecimento do que representam para você, mesmo que isso signifique "demonstrar fraqueza", ou coração mole
  4. Dê importância àquilo do qual você se orgulha. Isso deve ser importante afinal
  5. Tem gente que, enquanto atributo intangível, só tem a capacidade de te fazer mal
  6. Sua vida é importante, sim. Sempre há alguma coisa que se destaca; nem que sejam as amizades maravilhosas que merecem ser cultivadas
  7. Carpe diem. Tudo é efêmero
  8. A paixão talvez, realmente, seja uma coisa só da adolescência. Você não deve se sentir mal porque não fica empolgada com a sua rotina, seus relacionamentos, trabalho, ou estudos. Se você admira bastante aquilo, é possível que já goste muito e que isso seja o bastante
  9. Muito obrigada
  10. Faça as coisas com calma
  11. Respeite tudo nas leis de trânsito
  12. Coisas horríveis acontecem o tempo todo
  13. Mude o molde pelo qual você vê o mundo. Coisas boas acontecem todos os dias
  14. Respeite os detalhes que merecem
  15. Ande com calma
  16. Ajude quem precisa de ajuda
  17. Não deixe de amar os detalhes que lhe fazem diferença
  18. Nasça de novo sempre que possível