quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Na tendência de permanecer como está

Provavelmente, quando suas palavras e pensamentos tinham consentimento - o próprio ato de redigir - para se tornarem públicos era porque ela tinha uma esperança íntima desesperada de que alguém as lesse, compreendesse, replicasse ou mudasse de comportamento. 

O objetivo era em si mesmo e simples: tornar literais alguns pensamentos. Acontecia, porém, que não se sentia preparada para que fossem lidos e sentia-se bem na zona de conforto do anonimato e do desconhecimento; ela mesma temia, por vezes, a linha de raciocínio que era capaz de tomar.

Por volta de hoje, sentia que estava preparada para que alguém as lesse, afinal passado é pretérito - passado é passado...e finalizado no término do seu ano - de modo que qualquer opinião manifestada não iria interferir em sua, já passada, necessidade extrema de equilíbrio. Além do mais, tratavam-se de pensamentos sobre situações que não ocorriam no presente, que talvez não fizessem sentido a ninguém hoje.

De qualquer maneira, o acaso teimava em ajudá-la, ou em obedecer à inércia newtoniana estupidamente ideal.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Ano novo

C'est la | via Tumblr
retirada daqui

Sentada à janela, observava uma pipa e inquietava-se..."O mundo é como você o enxerga" (Anais Lima) sempre fora uma de suas citações prediletas e que, em noventa porcento das ocasiões, melhor a representava; era um dos motivos pelos quais apreciava tanto dias ensolarados e bonitos. Quando sua mente clareava, nuvens se afastavam, a visão desembaçava.

Inquietava-se de uma maneira particularmente suave e feliz. Disseram-lhe que havia passado algumas horas naquele silencioso diálogo da observação, como se controlasse os suaves movimentos daquele cenário. Uma pipa a obedecia - a movimentos ordenadamente helicoidais - ; às vezes, subia mais; outras vezes, descia. A sombra de três pessoas caminhava na rua, o casal fazia as pazes e se formavam duas sombras diferentes. O amigo os acompanha.

A pipa içava voo alto; aos olhos mau treinados, parecia que iria se prender a um fio, porém sabia o que fazia.

Ainda demoraria a processar e a aproveitar a nova realidade de pensamentos; de qualquer jeito, seu ano - o nascimento de um semblante mais leve - começava agora.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Paralisia manu-mental

O medo começava a paralisá-la. Não conseguia se concentrar, parecia não saber raciocinar; teimosamente, cria que tudo era difícil e evitava ao máximo confrontar seus objetivos. Estava muito insegura para com o desafio maior e parecia ter medo até mesmo de treinar para ele.

Era necessário adquirir coragem, abraçar o fracasso antes da batalha: só assim não se preocuparia e talvez conseguisse a chamada concentração. Tivera-a até pouco tempo, porém, agora, parecia-lhe sonhador demais acreditar em suas virtudes, seus talentos e seu conhecimento.

Parecia normal se sentir tão paralisada por si mesma...Tudo tornava seus músculos pesados, sua mente permanentemente sonolenta, adormecida, sem saber qual paralisia viera primeiro: a mental ou a física. Quando tomaria consciência e retomaria as rédeas de sua mente, de seu corpo?
Teria que parar de valorizar este tal medo o qual é tão, inconsequentemente, menosprezado por aí.

Close da pintura "O grito"- Edvard Munch

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cansaço

O cansaço é psicológico, nada não existe, tudo é uma criação ou interpretação humana. As mazelas humanas não existem, são apenas construções. Vamos em frente!

Abandone esta criação que a atordoa agora, encontre outra interpretação e siga em frente através dela. É mais do que forçoso abandonar as construções que nos detêm. Assim como uma pessoa é capaz de largar uma garrafa de bebida e abandonar a embriaguez ou dependência alcoólica, você também é capaz de se desfazer da visão fatigada ou da interpretação desfavorável dependente deste estado de espírito cansado.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um bom ano

Que os sintomas da outubrite e da dezembrite não nos atinjam.
Somos fortes, já que chegamos até aqui. Não desistiremos, lutaremos e permaneceremos sempre na ofensiva afinal, na concepção de muitos, a melhor defesa é um bom ataque. Permaneceremos na ofensiva, não temos medo.

Teremos todos um bom mês!

domingo, 9 de setembro de 2012

Relato de uma decepção

retirada do google imagens


Não crie expectativas, não se apegue, não tenha esperanças, não seja otimista...
É o lema de todos aqueles que já se decepcionaram e decidiram tomar uma decisão que os livrassem de emoções, da decepção e da dor futuras.

Sinto dizer, porém, que isto é em vão. Pessoas não prestam, não são naturalmente boas; enquanto você escolher viver no mundo dos humanos, estará sujeito a mágoas. Não há anestésicos, é inevitável: nas relações humanas, todos se magoam.

Digo mais, querido leitor, se você faz algo sob o intuito de não se magoar, não se preocupe, as mágoas virão de outra forma, talvez mais intensa. Não há prevenção, não há anestésicos, é inevitável.

Devo dizer que este é o relato de um cética temporária; não se preocupe, em breve ela voltará a confiar nas pessoas e a entrar no círculo das conquistas e felicidades, ao lado daquele das decepções e das mágoas. A vida é uma troca: se há confiança, há mágoa, se há decepção é porque houve conquistas, se há expectativas é porque se sonha.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Cativadora de sorrisos

retirada do google imagens
Hoje descobrira que sempre foi apaixonada por sorrisos. Encantava-se em provocá-los, ser seu motivo e observá-los. Sempre soube isso.

Ontem descobre que alguns, mais magnéticos, deixam-na fascinada.

Tais sorrisos geravam uma interdependência entre a geradora, dominadora de sorrisos e o sorridente; assim, provocavam uma fajuta inversão de papéis: ela sorria porque gostava de vê-lo sorrir, ele o fazia (novamente) porque ela sorria.

Assim, pouco a pouco, ela se permitia ser cativada, sorria. Era a causa de tudo aquilo.

sábado, 18 de agosto de 2012

Um pedido

Detalhes podem te levar à loucura, por favor, nao te apegues ao desnecessário; tua vida será, assim como a minha, deveras mais feliz.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Mistérios

Tentava decifrar o indecifrável, a começar por ela mesma

Tanto passara-se pela cabeça dela: súbitas certezas, determinaçao, fé, otimismo e questionamentos sobre o objeto de sua fé, inseguranças, medos. Ela, moça barroca, temporária indecisa eterna, atenuava o senso comum, incompreendia certas atitudes, via soluções e buscava ajudar, até o momento em que o antecedente da sua próxima crise de insegurança aportou.

Neste dia, o viu fatigado, com preocupantes rugas de repúdio, repúdio à conjuntura, ou seja, a si mesmo. Ele que questionava incoerências como ela, desprezava o senso comum e era, em potência, dúzias de vezes melhor do que a moça. Infelizmente, suas dúzias eram feitas da matéria mais vulgar: fragilíssimos ovos. Alguns haviam se quebrado pela mesma tempestade a qual faria os ovos da barroca racharem-se futuramente. Ela, porém, não havia compreendido o sinal do temporal e apenas o fitava tentando decifrá-lo...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A câmera fotográfica desfoca, propositadamente ou não, com efeito positivo ou não, proporcionando nova perspectiva, analogamente à mente

O planejado é facilmente quebrado, não só quando somos indisciplinados mentalmente, mas também quando adquirimos calma, foco e plenitude o suficiente para perceber que há coisas superiores a este, antropocêntrico, individualista -planejado, apenas!

A Lei de Murphy atua em vários campos e, mais uma vez, mostra-me sua eficiência, inclusive no momento em que escrevo este simples pensamento, tangenciando, novamente, o planejado para hoje.