Provavelmente, quando suas palavras e pensamentos tinham consentimento - o próprio ato de redigir - para se tornarem públicos era porque ela tinha uma esperança íntima desesperada de que alguém as lesse, compreendesse, replicasse ou mudasse de comportamento. O objetivo era em si mesmo e simples: tornar literais alguns pensamentos. Acontecia, porém, que não se sentia preparada para que fossem lidos e sentia-se bem na zona de conforto do anonimato e do desconhecimento; ela mesma temia, por vezes, a linha de raciocínio que era capaz de tomar.
Por volta de hoje, sentia que estava preparada para que alguém as lesse, afinal passado é pretérito - passado é passado...e finalizado no término do seu ano - de modo que qualquer opinião manifestada não iria interferir em sua, já passada, necessidade extrema de equilíbrio. Além do mais, tratavam-se de pensamentos sobre situações que não ocorriam no presente, que talvez não fizessem sentido a ninguém hoje.
De qualquer maneira, o acaso teimava em ajudá-la, ou em obedecer à inércia newtoniana estupidamente ideal.



