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quarta-feira, 25 de novembro de 2020
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Basta!
Perceber que podia focar no que desejasse, ser quem realmente era e, mais do que tudo, aceitar que ela nunca havia sido a pessoa mais importante na sua própria vida, nunca havia se bastado, nunca havia sido o suficiente (para ela mesma) - e esta inquietude e falta de aceitação que vem de dentro fizeram dela mesma uma pessoa insegura e em busca incessante pela aceitação, pela afirmação, pelo elogio - lhe trazia um estranho sentimento de liberdade, uma tão cara porém finda apreciação pelos detalhes do cotidiano, uma vontade de se admirar, de se amar verdadeiramente e de repudiar qualquer intenção - que veneno! -, vinda do mundo exterior ou interior, de se comparar.
Sem dar passos demasiado largos na jornada da autoconfiança, sem expectativas sobre o amanhã, ela se prepara para dormir e pensa que se basta.
Até a próxima sessão.
quarta-feira, 8 de abril de 2020
Não existe a vida sem a morte
Aceitar a partida da minha avó em meio a uma pandemia não foi tarefa fácil. O acompanhamento por alguém próximo nos últimos dias, o abraço no hospital, o velório, os abraços em família - todos símbolos frequentes na despedida de uma pessoa que não está com a saúde boa - não puderam existir. Foi assistir ao meu maior medo na pandemia se tornar realidade.
Fizemos uma homenagem em videochamada: meus pais, eu e meu irmão; escrevi uma carta para ela, que colocarei em outra postagem. Que ela saiba o quanto é querida! Mesmo que não tenha havido um velório formal com as pessoas queridas.
Várias pessoas me disseram para olhar para a partida dela como um "até logo". Se sinto falta e fico triste com a ausência dela é por que tenho ótimas lembranças, é por que admiro muito a pessoa que ela foi, é por que desejo deixá-la feliz e orgulhosa. E vou buscar dar este orgulho sempre, como se pudesse mostrar para ela. No coração (e quem sabe no futuro) sei que estará comigo.
Que tudo possa ser vivido com mais intensidade, coragem e menos medos. Que eu possa ser aquilo o que eu sinto que preciso ser e me inspire pelos comportamentos e hábitos de quem admiro. Que a vida possa ser investida nas pessoas e iniciativas que acreditamos merecer a nossa energia - e que possamos dar o nosso máximo, uma vez que as escolhas foram feitas. Que não tenhamos medo das consequências de se viver com intensidade, da consciência de que, para cada escolha ,existe uma renúncia. Isto posto, o fundamental é escolher o que o coração manda, sem ferir quem nós somos e o que desejamos.
Há tantas semanas em isolamento, sem poder se reunir com outras pessoas, além de quem está morando comigo, surge uma compreensão a respeito do que é mais importante para mim, de quais são os momentos simples que me fazem mais falta.
Algo que, com certeza, não farei mais quando tudo voltar ao normal é ir a encontros sociais com pessoas que não conheço e não estou confortável para conversar ou com vontade de criar vínculos. Nosso maior tesouro é o tempo: quero dizer que, ao ir a um evento com pessoas que pouco importam para mim, estou desperdiçando o tempo que poderia dedicar a pessoas queridas, ou a atividades que me agradam e que eu poderia fazer só.
Sinto falta de ver minhas amigas, meu irmão, meus pais, de ouvir meu avô tocar violão, de almoçar uma comidinha caseira da família, de ir ao Parque da Cidade, de ver exposições novas nos museus de São Paulo, de provar um vinho novo, de conhecer lugares diferentes, de fazer perguntas em Espanhol, de conhecer a cidade andando de bicicleta, de sentir o sol passando pelo meio das árvores, de tomar um café com o meu irmão, de abraçar a minha mãe, de ter sonhos e planos de longo prazo.
Sendo assim, eu quero começar os próximos dias mais acordada, mais consciente e dona do que eu estou fazendo com a minha vida. Quem sabe agora pode ser a hora de começar um projeto pessoal, como aquele do blog de viagens.
Quem sabe eu consigo voltar a sonhar e a fazer planos de longo prazo.
Despiertate!
Lista do que fazer quando acabar o isolamento
- Almoçar na casa dos meus pais
- Levar o meu vô para passear (quem sabe ver alguma orquestra?)
- Visitar alguma exposição em um museu
- Pedalar do Jaguaré até a Faria Lima
- Chamar o meu irmão para jantar em casa
- Chamar minhas amigas para beber em casa (com antecedência, para ninguém desmarcar)
- Jantar em um lugar bem bonito com o Gui
- Sair com a Sté em Campinas
- Assistir ao por do sol em um lugar bonito
- Ir ao Parque da Cidade
domingo, 31 de março de 2019
Aquilo o que não era. E tudo bem
Era quieta, e subentenderam que ela não tinha comportamento determinado. Disseram que precisava ir atrás dos seus sonhos, pois "foi o que as pessoas da família fizeram".
Agiram como se ela fosse uma pessoa que não faz nada. Falarm como se a moça tivesse dinheiro suficiente para sonhar sem limites. Seus dois maiores sonhos foram ser aprovada na USP para o curso de Publicidade e Propaganda e morar fora da casa dos seus pais.
Depois, as suas próximas vontades foram barradas por questões financeiras, ou por falta de perfil: nem sempre o que você quer é o mesmo que as pessoas decisoras procuram. A vida adulta chegou e impôs seus limites naturais.
Mesmo assim, conquistou coisas das quais não se vangloriou e que suas algumas pessoas da família mal sabem que conquistou, devido ao seu silêncio.
O motivo? Não simpatizava com o comportamento dela, que reforça tudo o que rendia histórias interessantes nela e no seu filho - todas decorrentes de oportunidades que a maioria da população carecem - muito provavelmente por insegurança.
Estava em paz consigo mesma. Orgulhava-se de ter sido aprovada na faculdade, de ter conseguido pagar seus aluguéis durante a graduação e de ter assumido um cargo de gestão aos 23 anos.
Mas orgulhava-se mais da capacidade de ouvir aos outros pacientemente e com empatia.
Orgulhava-se me também da humildade. Tinha consciência de que não era a melhor pessoa em muitas ações e atitudes.
Não era a melhor profissional de marketing digital: não era a melhor SEO, a melhor redatora, a melhor planejadora, muito menos a melhor mídia.
Não era a melhor filha, a melhor neta, a melhor amiga.
E tudo bem. Enquanto permanecia receosa de não ser boa o suficiente, permitia-se aprender e ouvir mais.
Mas, caro mundo, muito lhe cansava ouvir críticas ao seu tom de voz baixo, aos seus poucos comentários; cansava, também, conversar com pessoas que adoravam projetar as suas próprias vontades nela, talvez por pensarem que ela não tinha as suas próprias, já que não apreciava comunica-las para qualquer pessoa.
Ao termos empatia, entendemos, pelo menos um pouco, as motivações de outrem e, então, conseguimos agregar a compreensão do outro ao nosso universo particular, finalmente ampliando a nossa própria complexidade.
domingo, 13 de maio de 2018
Um vale mais longo do que o esperado
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
A magia do Teatro Municipal
Ela compareceu ao primeiro evento o qual provocou uma imensa e positiva surpresa no ano.
A espera
Passaram duas horas e 20 minutos na fila: ela, seu namorado e duas amigas, antes de conseguirem ingressar no teatro. Rumo ao final da aglomeração, avistou um colega do seu antigo trabalho.Sempre sorridente, ele parecia não ter envelhecido desde os últimos dois anos - contrariamente à moça, como suas olheiras profundas evidenciavam. Era um rapaz simpático, curioso - fosse por natureza pessoal, ou hábito profissional, adquirido após cinco anos de trabalho em instituto de pesquisa. Ela havia sido assim também: manifestava curiosidade e interesse pelas minuciosidades, sorria e buscava entender os sentimentos de todos, como se estivesse entrevistando qualquer um que falasse com ela.
Talvez motivada pela demasia de sentimentos cinzentos, a jovem não procurava entender as emoções dos outros em profundidade, afinal sequer sabia lidar com as suas próprias. Entretanto, sorriu, agradeceu por estar com a maquiagem bem feita e uma roupa bonita: estava ótima por fora e, consequentemente, por dentro. A conversa durou pouco tempo e arrependeu-se apenas de não ter mandado um abraço à sua antiga chefe.
As costas doeram, assim como os pés. O sol raiou mais forte do que imaginaram. Os amigos conversaram e venceram a fila. Adquiriram quatro entre os últimos 100 ou 200 ingressos disponíveis àquele espetáculo. Com lugares marcados, foram almoçar durante o tempo que lhes restava. Conseguiram!
A entrada ao teatro
Ao entrar no Tetro Municipal, surpreenderam-na o requinte, os ornamentos e o luxo. Sozinha a decoração lhe provocou significativa mudança no estado de espírito. Dirigiu-se ao toalete e deparou-se com uma bela sacada, a qual dava vista para a entrada da construção. Impressionada, fotografou-a pelo celular.Colocou seus óculos e, então, ratificou e intensificou a percepção de beleza daquele magnífico local. Iniciou-se a orquestra. Os sons a preencheram e, som a som, instrumento a instrumento tentou compreender a origem. Concentrou-se e sentiu-se completamente presente, de corpo e mente.
Algumas músicas transbordaram sentimentos de alegria, beleza e gratidão; outras causaram saudade. Apesar de ter assistido a poucos filmes do Stanley Kubrick anteriormente, envolveu-se demasiadamente. Ao início do Bolero de Ravel, seu corpo estremeceu.
O solo dos instrumentos observou atenta orientada pelos gestos do maestro, que muito admirou. Seus olhos umedeceram em ritmo de marcha. Brevemente pensou em pessoas queridas que deverasmente apreciariam estar lá. Mas como não estavam, ela agradeceu, pois ela era a única que estava sentindo o momento daquela maneira e não havia razão em afastar a mente daquele evento magnífico.
Gratidão.
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Por que escolher quem vai estar perto de você
Aprendi a ter comportamentos que me fazem mais feliz desde que estamos juntos, e sou muito grata a isso de maneira puramente hedônica: eu não sei se mais alguém se beneficia destas lições que a vida me ensinou por meio de você.quarta-feira, 1 de março de 2017
Quatro quintos
As férias escolares foram uma mostra de como poderá ser o próximo ano, 2018. A consciência plena de que ela poderá não estudar - e apenas trabalhar -, em um futuro próximo, fez com que ela analisasse as atividades recorrentes e o seu próprio comportamento no cotidiano.
Ademais, sentiu que deveria agir com mais confiança perante a vida profissional. E então, com muita frequência, começaram a perguntar o que ela havia estudado na faculdade. Preste atenção ao tempo verbal: o que ela estudou e não o que ela estuda. Esta mudança era consequente (ou subsequente) à sua atenção aos detalhes. Por antecipação, começou a pesquisar potenciais oportunidades profissionais e a imaginar as ofertas que aguardam a chegada do seu diploma.
E também se perguntou - muitas vezes - se a sua rotina em 2017 estará mais próxima dos seus planos para o futuro. Será que vai haver disposição e determinação para ir além do mandatório e mínimo necessário? Será que vai ter força para mudar o rumo do seu barco frente a um mar nunca antes navegado? Será que estará mais perto de abandonar a cidade cinza?
Ainda faltam nove meses para esta jornada se encerrar. E nove dolorosas parcelas da sua festa de formatura. No entanto, a sensação de que é necessário fazer tudo da maneira correta, sem margem para erros, é pungente. Como a moça está vivendo cada momento com o máximo de intensidade permitida, realiza análises constantes sobre o propósito das suas ações. Além disso, parece que as análises se estendem ao comportamento de familiares e pessoas queridas.